Publicado por: Eduardo Bezerra | Agosto 23, 2013

A Política do Foda-se!!!

Desculpem a falta de polidez do tema. Eu sou assim mesmo. Eu penso algo e escrevo. Não tenho problema algum com palavrão. Ainda assim, neste caso, pensei bastante para compor este título. Achei grosseiro (sim, eu achei!!!) mas foi o mais apropriado que encontrei. É assim que me sinto. E é assim que nos sentimos. Alguns de maneira mais contida, outros de maneira mais exposta. Mas é um sentimento consequente de nossa condição de cidadãos periféricos.

Agora foi o Terminal de Integração do Xambá. Mas já foram muitas outras situações. Está sendo na Avenida Caxangá onde as obras das paradas de ônibus se arrastam indefinidamente. Pra coroar o processo a construção encontrou o Túnel da Abolição. Hoje, este braço da cidade ainda foi “brindado” com o terminal do Derby. Orgulhosamente apresentado como 100 metros de um projeto magnífico. Planejamento para prejudicar o mínimo possível a população é nenhum. 

Amplia-se o Viaduto Capitão Temudo, aquele da Joana Bezerra, e o trajeto é o menos democrático do Recife. Não há lugar para o pedestre. Não há lugar para o ciclista. Só a carros, ônibus, caminhões e motos foram permitidos o livre acesso. Um cidadão não pode se dirigir autonomamente da parte da cidade que fica na altura do Hospital Português até o Pina. Precisa, para ter segurança, de carro, ônibus, caminhão ou motos.

A reforma na escola do bairro não passa pela necessidade das pessoas. A Unidade de Saúde da Família não obedece a critérios técnicos. As Conferências estão aí nas cidades e estados com suas deliberações. Se arvoram num povo que não aprendeu ainda a cobrar política pública. Um povo que não percebeu que a reclamação enquanto ferramenta única não faz muito. É preciso proposta e ação. Estas demandas são guardadas e os pedidos dos políticos atendidos na frente pra depois surgir um faixa: “Obrigado, vereador fulano, pela obra que trouxe pra nossa comunidade!” Ou, “muito gratos, deputado ciclano, pela rua que foi pavimentada”.

As políticas públicas são edificadas por pessoas que, em sua maioria, não usam o SUS. Não andam de ônibus. Não pedalam. Não andam pela cidade dos pobres. Não tem buracos homéricos em suas ruas. Não têm contato com a vida real da imensa maioria de nossas cidades. Aí eles propõem um terminal que atrasa em mais de hora um trabalhador ou trabalhadora de chegar em sua casa. Expõe o mesmo ao perigo de uma cidade que não oferece segurança. Joga um cidadão contra o outro no estresse de tentar se locomover neste trânsito absurdo.

Mas eles sabem que somos resilientes e nos acostumamos com tudo. Inclusive com o pior. E contam descaradamente com o tempo que nos faz esquecer e aceitar estas situações. O gestor da Região Metropolitana do Recife hoje atende pelo nome de Copa do Mundo de Futebol. Por intermédio de sua urgência projetos mirabolantes, caros e desnecessários se escondem sob a égide de um “plano de urbanização”. E assim nos entregam sucessivas e intermináveis políticas do “foda-se”. Ou assim, bem grande, em letras garrafais: FODA-SE!!!

Quanto tempo mais seremos ignorados? Quanto tempo mais nossas necessidades serão relativizadas? Por quanto tempo mais haverá tanto conformismo? Depende deles? Não! Isso é com a gente mesmo.


Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

Categorias

%d bloggers like this: