Publicado por: Eduardo Bezerra | Fevereiro 17, 2013

O que não se fala sobre política partidária no Brasil…

Há relativamente poucos anos, onde quer que você se conectasse, seja TV, rádio, jornal ou internet, não havia outro assunto que não este. Alexandre Garcia, Miriam Leitão, Mr, Catra, Patati Patatá, absolutamente todo mundo tinha uma opinião abalizada sobre o assunto. Reforma política. Discutida de mesa de bar a homilia de padre, passando por fila de banco, as pessoas abordavam o assunto como se fosse a salvação para todos os problemas do país.

Mas a discussão da reforma política se deu em três campos muito bem definidos e polarizados. Primeiramente, nas conveniências e articulações dos políticos e seus babõ… desculpe, articuladores e militantes; pela mídia e seus interesses “desinteressados” de contribuir para o crescimento do país (não riam); e por pretensos formadores de opinião e sua torcida religiosamente futebolística pelos quadros políticos da vez.

Desde o princípio, algumas coisas sempre me incomodaram no debate sobre a Reforma Política no Brasil. Em primeiro lugar: o que são os partidos políticos das bandas de cá? Apesar de belos discursos sobre ideologia, compromisso, ética e responsabilidade, não há nada além de agremiações políticas aqui. O último deles a ter um perfil, ruiu por si mesmo com sua chegada ao poder. O Partido dos Trabalhadores não traiu os seus militantes, simplesmente. A atitude conveniente de seus dirigentes eliminou toda e qualquer referência para se construir uma real reforma. Não é nenhuma defesa de petista orgânico. Não sou de partido algum. Não tenho esta pretensão. É apenas uma constatação. O PT viveu numa torre alta, como princesa de conto de fadas. Ao invés do príncipe salvar a bela (com seus votos), a princesa pulou da torre e caiu no poço de lama da política comum do toma-lá-dá-cá. Surpreendente? Não. O PT tem entre suas raízes mais fortes as lutas sindicais, locais de articulação nem sempre honradas e limpas. Local de vale tudo. Foi decepcionante, mas nada surpreendente.

Gosto de fazer uma meia-separação (até porque não pode ser uma separação completa) entre os procedimentos políticos do partido e a forma de governar. Apesar de não gostar do termo “inversão de prioridades” a expansão dos governos do PT, reordenou a forma dos outros países fazerem política. Isso é fato. Algumas coisas inimagináveis em partidos como o ex-PFL, por exemplo, foram pautadas por esta ascendência. Não lembro quem escreveu isso, mas, na época onde havia direita e esquerda, a diferença entre eles era que a esquerda escrevia sobre o mundo e a direito lia o que a esquerda escrevia.

Mas aquilo que era um partido político, igualou-se aos outros com a canonização de São Lula. O PT sucumbe à autocracia e se torna um igual dos demais, chegando ao ponto de servir de legenda de aluguel em algumas situações. Um outro ponto que ninguém acaba por aprofundar no debate é justamente esta autocracia. Não há veiculação com ideologias políticas. A população não vota em partidos. Os partidos não investem no partido. Investem nas pessoas. Os políticos não podem assumir a bandeira do partido como a sua. Nem eles garantem que amanhã estarão por lá. os partidos são dependentes das figuras políticas por princípio e não por fim.

É inimaginável um político sair do partido democrata para o republicano nos Estados Unidos. Ou do trabalhista para o conservador no Reino Unido. Não há interesse local em dar condições para que as pessoas assumam uma ideia partidária. E isso não exige apenas dos partidos, mas  dos eleitores. Não é algo que virá dos políticos. Não se espera nada deles. Todos estão em posição confortável e farão de tudo pra se manter assim. Se espera da população. São eles, que no seu sofrimento, podem mudar as coisas.

A própria polarização já é um outro problema. Para defender um ponto de vista, para não dar a impressão que está defendendo o “inimigo”, as pessoas se agarram com todas as forças em um ponto e não mudam, não misturam suas ideias. A política no Brasil, assim como a gestão pública, é feita com base no embate e não no debate. No embate a minha ideia vai vencer a sua e deixá-lo no chão. No debate a gente constrói um caminho. Para nós. Por isso que aqueles campos ditos lá no início (militontos, políticos e mídia) são tão imiscíveis. Não se defendem ideias, defendem-se conveniências.

O último ponto (deste post e não da discussão) está na falta de maturidade de quem constrói esta política. De todos os lados. Sempre em época de eleição, vemos pessoas altamente coerentes perderem completamente a coerência. Defenderem coisas em conversas privadas com você e no espaço coletivo mudarem completamente de posição. É o formador de opinião totalflex. Nossa política é bem totalflex. Farinha pouca, o meu primeiro. A categoria política se aproveita da dificuldade das pessoas, sobretudo o brasileiro, em mudar. Nosso povo é mantido diariamente nos grilhões da permissão pra serem cidadãos. Permissão para terem uma bolsa, permissão para terem uma cota, permissão para terem direito ao básico da cidadania. Viver com pouco fez do brasileiro um povo medroso e pouco previdente. Quem vive com pouco sempre tem medo de perder e opta pelo mal conhecido ao bem possível.

Por isso a reforma política não vai evoluir se continuar a se desenvolver neste campo. Permanecem o coronelismo, os feudos eleitorais, as relações de troca imorais, os apoios a qualquer custo, os lobbies, a infidelidade partidária, o jogo das conveniências e os loteamentos administrativos. Por isso, não há frase melhor para finalizar este post que a do pertinente Albert Einstein: Insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes.


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