Publicado por: Eduardo Bezerra | Outubro 29, 2011

Sobre mudanças e coisas afins…

“Quando os ventos de mudança sopram, umas pessoas levantam barreiras, outras constroem moinhos de vento.” Érico Veríssimo

Estou agora sentado no chão de minha sala quase vazia. Vejo pilhas de livros separados por temas que talvez só façam sentido em minha cabeça. À minha frente os bonecos que ganhei do finado e genial bonequeiro Seu Dias. Encaram-me sérios, compenetrados. Observo as paredes nuas e me sito nu também. Algumas almofadas que invariavelmente pousaram minha cabeça e certamente guardaram algumas ideias descansam em um pedaço desabitado deste deserto. Tentei espremer alguma coisa. Estou de mudanças.

Apesar do termo no plural parecer estranho, parece-me o mais adequado no momento. Não é apenas uma transição de CEP. Não muda apenas o nome da rua. Muda-se o todo. Esta é uma mudança diferente, cheia de símbolos, repleta de quebras, pródiga em reconstruções. E talvez seja ainda mais, uma mudança de rumos talvez impensada a poucos meses. Hoje consigo pensar mais em mim além de minhas obrigações e atribuições profissionais. Dei-me conta disso muito profundamente hoje, ao terminar de reler os textos deste blog e perceber que eu não passava de um perfil crítico do mundo externo.

O que eu pensei este tempo todo sobre mim? Não tenho a mínima ideia. Talvez eu tenha me escondido entre artigos políticos, críticas ácidas à saúde pública, minha militância biomédica. E no meio da dinâmica de uma mudança você cavuca o que acumulou, muitas vezes inutilmente, e começa a juntar pedaços que você nem tinha a ideia da existência. Joguei fora muita coisa que me foi bastante cara durante muito tempo. Hoje não fazem sentido ou foram guardadas na biblioteca da memória. Desfazer-se do acúmulo é também abrir espaço na alma para coisas novas.

Dei uma olhada da janela e me vi em todos os caminhos desenhados lá embaixo. Tenho visto a vida com mais arte, estou mais próximo das poesias, romances, crônicas, quadros. As cores do mundo mudam, a tez das pessoas diversifica. E como tudo, há um lado positivo e negativo neste prisma. O bom da vida fica absurdamente bom. O mal aprofunda e te joga lá embaixo. Mas viver é arte. Há o lado invariável do acontecimento frio e há o lado transitório de nossa própria visão de mundo. A arte não te protege nem te vulnerabiliza, só amplia.

Aos poucos estou abandonando as falsas alegrias e aprendendo que ficar triste é necessário às vezes, desde que você não vá atrás dela. E que há saída pra tudo. E pro que não há saída, há o riso. E para o que não há o riso, há o foda-se. E sigamos. Sigamos porque o tempo anda pra frente e felicidade é distribuída em micropílulas. Felicidade é um carro só seu e, no máximo, você dá uma carona.

Desta vez não serei o caramujo a levar tudo do mesmo jeitinho pra onde vai. Agora é tudo distinto. Vou fechar as caixas com a impressão de que as coisas que daqui saírem chegarão no seu destino de uma maneira diferente. Quando a fita passar por cima do papelão, tenho certeza que alguma luz transmutará as palavras das páginas, as letras das músicas e tudo mais que ali estiver contido. Como disse um dia Einstein, tempo e espaço são relativos. Muito relativos.

E eu tentando levantar moinhos de vento…


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