Publicado por: Eduardo Bezerra | Maio 2, 2011

Em meio à barbárie, uma voz…

Chris Douglas-Roberts, do Milwaukee Bucks (fonte: http://www.terra.com.br)

Chris Douglas-Robert é um atleta do bilionário campeonato de basquete norte-americano. Contratado pelo Milwaukee Bucks, foi a voz dissonante frente ao carnaval que se estabeleceu na nação mais poderosa do mundo. Morria Osama Bin Laden, o homem que povoava mentes ocidentais como um personagem de filme de terror. Daqueles que podem aparecer a qualquer momento em qualquer lugar. Os americanos em êxtase. Ainda estava acordado quando via a notícia quase que instantaneamente no portal do UOL. Ligo na Record News e o clima em frente à Casa Branca era de plena comemoração. O sentimento se espalhou e, naturalmente, não demoraria pra Nova York entrar na festa.

Mas voltemos a Douglas-Robert. Contra um país inteiro, em tempos de internet, não tardou para sua opinião ganhar o planeta. “Foram necessárias 919.967 mortes para matar este cara. Foram necessários dez anos e duas guerras para matar este cara. Nos custou aproximadamente US$ 1,9 trilhões para matar este cara. Mas estamos vencendo.” disse via Twitter. Ele está certo no lugar errado. Nunca foi uma luta contra a Al-Qaeda, mas uma bomba atômica liberada para matar uma formiga. Bin Laden é apenas uma cabeça de várias. O terrorismo é muito maior e fruto de questões mais profundas. Imperialismo, exploração, fundamentalismo, segregação religiosa, petróleo, racismo, parceria contra o comunismo, entre outros, são parte desta fogueira que inflama há séculos, milênios.

Diferente do que o Sr. Barack Obama proclamou em tom épico, o mundo não é mais seguro agora. Ao invés do inimigo que conhecemos o substituímos por outro que nem temos ideia de onde vem nem o que fará. Mas era direito dos Estados Unidos caçar e eliminar o patriarca da Al Qaeda. Foi humilhante demais o que ele fez há quase dez anos. Entrou no país mais militarizado do planeta, sabotou o seu sistema aéreo de referência mundial, atingiu o símbolo de seu modelo econômico, destruiu sua economia e afetou sua auto-estima. Um vácuo de dez anos de impotência foi interrompido com esta morte. Mas a comemoração colocou os americanos na mesma condição daqueles que acostumaram a chamar de bárbaros e fundamentalistas.

Haveria mesmo motivo para comemorar? Talvez a reflexão não fosse mais recomendada neste momento? Bin Laden é um produto made in USA, genuíno. Foi treinado, equipado, descartado e negligenciado por eles. Assim como Saddan Hussein. O problema da guerra é que ela também é política e, como tal, uma hora o aliado vira inimigo. É só questão de tempo. O diferencial é que esta política envolve armas e vidas. E os americanos sacrificaram vidas de soldados, vidas de civis e sua própria sustentabilidade para caçar um homem. Mais de um trilhão de dólares por um homem. Talvez não tenha havido recompensa tão alta por alguém na história da humanidade.

O americano é tão obstinado e fundamentalista quanto os árabes radicais. Um país que, em vários de seus estados -proíbe as escolas de abordar Charles Darwin, que permite impunemente um louco inconsequente de queimar o Alcorão, não pode ser um país saudável. Se bem que, em tempos de terror e perseguição individual, onde malucos explodem em ódio contra jovens em escolas ou shoppings, onde outros tantos malucos se acham no direito de humilhar os demais por serem diferentes deles, não pode ser um mundo normal.

Mas é normal a comemoração. Os americanos esperavam por este dia como o encerramento do pesadelo. Mataram Freddy Kruegger, enfim. É o sentimento normal de quem perde entes queridos. O mais pacifista dos mortais, de frente com a vitimação covarde de um dos seus, certamente deseja o fim do assassino. Poucos são os iluminados que perdoam os algozes. Raros são os que fazem de coração.

Bin Laden se foi mas você ficou, Chris. Não ficaria surpreso se após estas declarações você perder seu emprego. Um Estado irracional faz isso com toda força. Mas você foi corajoso. Talvez inexperiente. Podia ter esperado mais um pouco para expressar suas ideias. Não existe democracia plena. Nem quem defende a democracia segue os seus preceitos plenamente. Há algum tempo escuto o termo “radicalização da democracia”. Como acreditar em algo radical? Ou as pessoas são dotadas de conhecimento para buscarem seus direitos ou não é uma campanha ou palavra de efeito que vai mudá-las.

Queria acreditar que sem o velho Bin Laden as coisas fossem melhorar. Mas isso é só um desejo, só uma vontade.


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