Publicado por: Eduardo Bezerra | Março 26, 2011

PSD, JK e o toco onde o governador quer amarrar seu jegue

Que o governador Eduardo Campos almeja altos vôos nem é novidade, nem é condenável. Pelo contrário, uma meta maior sempre faz a pessoa crescer por seus atos. No entanto, a corda que ele anda engolindo da mídia tem feito com que ele comece a cometer erros primários para um político estratégico como o definem. A mais nova obsessão do mandatário pernambucano se chama Gilberto Kassab e seu PSD.

Colocar-se como uma terceira via é essencial para o plano do governador em chegar ao Palácio do Planalto. Também é sua chance de ouro, uma vez que, enquanto Lula for vivo e atuante, muito dificilmente o PT abre mão do cargo de representante das “esquerdas”. Por outro lado, apesar da crise que se abate no outro lado, o PSDB continua como o único a fazer frente em uma oposição cada vez mais combalida. Neste meio, um defunto chamado DEM, um bipolar PMDB e um rol de partidos menores com força, sobretudo, nas pequenas cidades.

Mas o questionamento é: quem é Gilberto Kassab para despertar esse interesse tão grande do PSB? Até pouco tempo, era apenas o vice-prefeito da capital paulista, tendo assumido no lugar de José Serra. Apesar de mal avaliado, elegeu-se por estas coisas que fazem um médium ser mais eficiente em interpretar a política de São Paulo que um cientista político. E a avaliação negativa só fez despencar até o presente momento.

Ele achou o DEM pequeno e quis criar um novo partido. Seria pretensão caso a esperteza do prefeito paulistano não estivesse mirando a conservação de sua condição de mandatário da capital. A ideia, após a fundação do famigerado PSD  (Partido Social Democrático), segundo os analistas, seria fundí-lo com o PSB e, oficialmente, criar uma terceira via. Mas será que Eduardo Campos precisa de um cara como Kassab para formar uma nova alternativa à polarização eleitoral?

Bem, talvez esteja faltando mais acuidade política ao grupo socialista. Em primeiro lugar, esta história de terceira via, até quando eu lembro, nunca funcionou. Só serve para levar pleitos ao segundo turno ou, como aconteceu como o próprio governador em sua primeira eleição, ficar na espreita do escorregão de algum adversário e entrar no vácuo. Os processos são naturalmente polarizados em nível majoritário e, dificilmente, suportam uma terceira opção. Baseia-se no espírito de situação x oposição. É assim aqui (PT x PSDB), nos Estados Unidos (Democratas x Republicanos), Inglaterra (Trabalhistas x Conservadores), entre outros. Como o convencimento se dá na desqualificação da proposta alheia, fica muito difícil alguém propor algo novo.

Em segundo lugar, geralmente, políticos como Kassab, para entrar em uma empreitada dessas fazem uma transição para algum partido intermediário entre as propostas dominantes e vagam no limbo dos PPs ou PLs da vida. É muita informação para os eleitores, um partido fazer parte da base aliada e contar com o mais recente e virulento candidato a vice-presidente derrotado, por exemplo. A maioria dos que ali estão foram, até pouco tempo, desancadores da esquerda. Para Joaquim Francisco chegar à condição de suplente de Humberto Costa sem, necessariamente, prejudicar a votação do titular, teve de vagar num ostracismo poucas vezes visto no mundo político. Pareceu uma fênix.

Se o governador não abrir o olho, ouvir outras pessoas que não os tradicionais babões que só dizem o que ele gosta de escutar, pode se dar muito mal. Obviamente sua trajetória é muito diferente da de Collor, mas a forma como sua imagem está sendo construída pela grande mídia vai pelo mesmo caminho. Sua vantagem é ter vida própria e não ser um desconhecido no cenário nacional. Indiscutivelmente, Eduardo Campos é um político desejoso em passar a imagem de um representante moderno. Entretanto, é um pouco difícil disso não se tornar apenas uma peça de marketing em um país onde a política é feita de maneira antiquada. Até o momento isso não tem passado de embalagem.

E, enquanto isso, Juscelino Kubitschek se remexe em seu sepulcro tentando livrar seu nome de dar título à fundação dos oportunistas. Haja cara de pau!

Te cuida, Juscelino!


Responses

  1. Boa, DUDU!!! Falo de Eduardo Bezerra e do outro…

    • Esse Kid e sua língua de peixeira… kkkkkkkkkk


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