Publicado por: Eduardo Bezerra | Março 11, 2011

Ah, a reforma política…

Volta e meia, meia e volta, a reforma política vem à tona. Pedido encarecido, chorado, lambuzado de dez entre dez políticos, sindicalistas, cientistas políticos, colunistas sociais, setoristas de câmara de vereadores, frentistas e manicures. Falar da dita cuja é assunto de blog, portal de notícia e buteco de beira de estrada. Enfim, estamos todos cercados pela famosa reforma. Tão requisitada quanto uma participante fogosa de Big Brother, tão evocada quanto a Madeira do Rosarinho, fica a pergunta: de verdade, qual a reforma política que você imagina?

Perguntinha indigesta, não é? É chato quando a gente se sente responsável por uma resposta tão espinhosa. Principalmente porque ela é mais de nossa responsabilidade que dos próprios políticos. Talvez seja pelo fato delas dizerem mais sobre nós que sobre eles mesmos. “O grande castigo de quem não gosta de política é ser governado por quem gosta!”. Sábio Arnold Toynbee!

Creio que se a ideia for simplesmente versar sobre a fidelidade partidária, os fundos destinados aos partidos ou sobre os prazos de filiação e desfiliação, aí sim, começamos muito mal. A verdadeira reforma política não será feita à letra fria da lei. Tal qual bandidos, a classe política sempre está à frente de barreiras regulatórias. De que adiantou a fidelidade partidária se os próprios interessados nos mandatos, por ocasião de acordos, abre mão deste “direito”? E agora vem o exemplo de Kassab a se aproveitar de uma brecha na lei para fundar um partido de transição e, futuramente, migrar para o ninho de Eduardo Campos.

A reforma política efetiva se dá na mentalidade de quem vota e é votado. Vivemos em um país onde as representações, desde sempre, são personalizadas. Não há a linha política, há o ator político. E começamos cedo. Na escola elegemos representantes de sala, elemento que se materializa no CDF, no babão do professor. Aprendemos precocemente a esvaziar o sentido da liderança. Na nossa rua, a liderança das brincadeiras é dada ao mais popular e não ao mediador. Ao chegar na universidade, na eleição da associação de moradores ou de conselhos tutelares, entra em pauta aqueles que gostam de política para se sobrepor aos que não gostam. O que esperar do momento de eleger os representantes do lesgislativo e do executivo?

Querem uma reforma à norteamericana? Lá se elege projetos políticos, conservadores ou democratas, não pessoas. Certamente o líder é escolhido pela sua capacidade de defender uma mensagem, no entanto, é a proposta que determina o processo. Querem saber qual a proposta para a economia, como tirar o país do buraco, o que pensam sobre a legalização das drogas, essas coisas que são fruto de um programa de partido. Mas são só dois partidos? Não. Eles são livres para montar quantos forem de sua vontade. Uma eleição presidencial chega a ter até 80 candidatos. Mas eles escolheram entre estas duas formas de pensar.

Não que os Estados Unidos tenham o melhor sistema político. Os problemas existem e são bem visíveis. Ninguém garante que o eleito será necessariamente o votado por mais pessoas. E isso é grave. E, apesar de pensarem política de maneira mais reflexiva, ainda assim elegem seus Tiriricas. Na Inglaterra, por exemplo, o poder praticamente se divide entre Trabalhistas, Democratas e Liberais Democratas. E o partido é eleito. Aquele que conseguir a maioria das cadeiras na Câmara dos Comuns vai escolher o primeiro-ministro. E se o mesmo não estiver de acordo com as questões partidárias será trocado no meio do mandato. Assim, na lata!

Voltando à Pindorama, as perspectivas não são muito boas. Muito sinceramente eu não mexeria neste vespeiro. Não importa o que fizerem, o risco da situação piorar é grande e significativo. Com uma classe política que votará em causa própria, um legislativo vítima de uma governabilidade tacanha, um judiciário cheio de vícios e suportado por uma legislação pródiga de interpretações, o conjunto desta reforma não pode sair a contento. Além de tudo o mais grave, nós, eleitores, não somos e nem queremos ser a peça mais forte nesse jogo. Ou se faz um conjunto de reformas de base ou qualquer tentativa será mero motivo para vender jornal.

Reforma de base? Poder não se dá, poder se conquista. E faça o que quiser com isso!


Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

Categorias

%d bloggers like this: