Publicado por: Eduardo Bezerra | Setembro 29, 2010

Eleição e invasão de privacidade

Ah, que vontade de fazer isso!!! (foto roubada ao Blog Renato Jr.)

Chego em casa e a cartinha de um candidato me esperava na caixa de correio. É a terceira que me encontra. Semana passada, um postulante à Assembléia Legislativa faz tocar meu telefone com uma gravação de campanha. Em pleno sábado. Minha caixa de e-mail foi descoberta por pessoas de Goiás, Paraná e Rio Grande do Norte, além das campanhas daqui de Pernambuco. Chega um torpedo em meu celular pedindo votos para um não-sei-quem-lá. O porteiro do prédio me mostra o balde de lixo repleto de materiais de campanha que chegam todos os dias e os condôminos pedem pra nem receber.

Qual o limite da privacidade no processo eleitoral? Em um processo cada vez mais proibitivo, adquirir uma mala de endereços ou e-mails passa a ser produto vendido a peso de ouro. O problema é que, talvez munido por fracos estrategistas, os candidatos acham que receber a ligação de um robô pedindo pra votar em fulano ou cicrano vai render frutos. Será que rende?

E não é só este tipo de invasão que está em voga ultimamente. O uso do espaço público por cavaletes, bandeirões, moldes de candidatos em tamanho natural disputam espaço com os pedestres ou voam para o meio das vias, inflados pelo vento. Aqui no Recife, circular pela Avenida Boa Viagem ou pela Agamenon Magalhães é semelhante a participar de uma dessas provas do Domingão do Faustão. Pula de um lado, desvia de outro.

Onde estão os Tribunais Eleitorais nestas horas? E quem sabe? Enquanto eles ficam bolando formas mirabolantes de evitar ilegalidade nas campanhas, o mundo real aqui de fora poderia bem servir de modelos para eles chegarem a uma fórmula satisfatória. O problema é que os juízes de todos os tipos de tribunal não têm a mínima noção de realidade. Não sabem o que pensa a sociedade (e não estão nem aí pra isso!!), além de serem profundamente complacentes com os crimes da elite. De acordo com um felicíssimo ditado chinês: “quem rouba um pão é punido, quem rouba um país vira príncipe”.

Bem, se há toda uma dificuldade para julgar um recurso pela Lei da Ficha Limpa ou para receber as multas de candidatos e políticos multados, imagine para impedir campanhas de pessoas que podem pagar por seus materiais, marqueteiros e estrategistas? As campanhas antigas favoreciam quem tinha poucos recursos e os garantia um pouco de igualdade com os poderosos. Não é interessante que na época em que tínhamos a distribuição de camisas, bonés e outros brindes, havia militância? Hoje que estes artifícios são proibidos, os militantes sumiram. Matemática estranha, não é?

Bem, eu só aguardo ansiosamente o fim das eleições para que possa parar de ouvir mentiras, promessas vazias, candidatos despreparados. Pelo menos serão dois anos em silêncio, esquecidos de mim. Não vou nem dar ideia, pois é capaz do cara ficar me telefonando relatando sua agenda parlamentar, orgulhando-se por ter conferido o título de cidadão pernambucano a algum amigo dele. Saravá, meu pai. Saravá!!!


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