Publicado por: Eduardo Bezerra | Maio 30, 2010

Perguntinha que não quer calar…

O primeiro ainda pode evitar a dor de cabeça do segundo

O vazamento de petróleo no Golfo do México atrapalhou os planos de exploração do pré-sal?

Qual será a cara que Lula fará ao ser perguntado sobre o assunto? Aquela de desdém, quando alguém aborda um assunto, para ele, sem importância?

Bem, pelo andar da carruagem ele deve ficar quietinho e passar um bom tempo sem falar em petróleo. Até o momento, só em uma oportunidade, ouvi alguém com esta preocupação. Meio ambiente ou desenvolvimento econômico? Nesta situação só um dos dois pode ser escolhido. Temos aí um exemplo extremamente preocupante para o futuro. As reservas de combustível fóssil estão ficando cada vez mais inacessíveis e sua exploração mais difícil. A reserva do Golfo do México não chega perto nem de ser pré-sal. O que faríamos nós em caso de um acidente destas proporções?

Neste caso tempos envolvida uma empresa britânica instalada em águas norte-americanas. Um negócio de um país cuidadoso com sua imagem e contratos em outro que não deixa qualquer um entrar em seu quintal. Fico imaginando uma coisa dessa tendo que ser resolvida pelos burocratas da Petrobras. Histórico de acidentes semelhantes já ocorreram em nossos mares.

É sempre bom relembrar o caso da Plataforma P36, afundada após explosão na Bacia de Campos no mês de março de 2001. Em julho de 2000, 4 milhões de litros de petróleo vazaram da Refinaria Getúlio Vargas, em Araucária/PR. No mês de fevereiro de 2004, o escape de um volume não calculado de petróleo atingiu o rio Guaecá, na cidade paulista de São Sebastião. O acidente chegou a atingir o litoral paulista. Em 18 de janeiro de 2000, a Baía de Guanabara sofreu com o despejo acidental de 1,29 toneladas do produto.

O vazamento do Hemisfério Norte ocorreu há 1.500 metros de profundidade e ninguém consegue conter. Só o campo de exploração de Tupi, na Bacia de Santos (SP), encontra-se entre 5.000 e 7.000 metros de profundidade. Qual a segurança que há neste tipo de exploração? Vale a pena arriscar o ecossistema desta forma? Não sou ambientalista e nem pretendo ser, mas este planeta é a casa que compartilhamos.

Quem pensa que o acidente do Golfo de México não vai nos atingir se engana profundamente. O ecossistema é um organismo só. O marinho mais ainda. Quando falamos dos espaços sólidos, estamos abordando um terreno sem continuidade de superfície. Mas os oceanos estão todos interligados. As correntes marítimas percorrem todo globo terrestre. Peixes, vegetais, moluscos, crustáceos e aves já estão sendo atingidos em larga escala e isso pode prejudicar nossa cadeia alimentar.

Tudo é cíclico.

O risco de, em breve, estarmos nos alimentando com peixes contaminados é grande. Pode ser a reprodução marinha da nuvem radioativa que cobriu a Europa em 1986. As consequências da explosão em Chernobyl (Rússia) chegaram até o Reino Unido. Naquele momento, uma crise alimentar se deu naquele continente, uma vez que as pessoas tinham medo de serem atingidos tendo como veículo os alimentos. Obviamente o próprio acidente contribuiu para que as usinas nucleares hoje contem com um sistema de segurança bem mais eficiente.

Porém, além dos efeitos práticos, há o psicológico. Os bancos de sangue, por ocasião da pandemia da AIDS, sofreram com o descrédito da população durante muitos anos. Hoje, a proteção envolvida é quase intransponível mas, mesmo assim, um simples boato derruba as doações de sangue numa facilidade enorme. Um assalto pode ser capaz de espalhar pânico por uma região tranquila. Muitas vezes a sensação de violência se torna muito maior que o risco real.

Voltando à questão ambiental, é fato que a tecnologia de prevenção de acidentes deste tipo terão um salto enorme. Ainda assim, é importante repetir, uma coisa é não saber o que se fazer a 1.500 metros de profundidade, outra é não saber o que fazer  a mais de 5.000 metros. Fatores diversos estão envolvidos, a maioria deles fora de nossa capacidade de previsão. O deslocamento de uma placa tectônica. Os especialistas podem atestar a estabilidade do terreno, mas o que é verdadeiramente estável na natureza? Conhecemos muito pouco do oceano abissal.

As eleições estão aí. Prometer riqueza é prática antiga, ainda mais quando uma mina de ouro está tão perto. Os olhos dos governantes crescem, as bocas enchem d’água. Quase lobos. As consequências são pensadas para depois. Depois da plataforma instalada, da Arena da Copa construída e da mata de Suape desmatada. O importante é a verba entrar. Mas a riqueza estará disponível para quem? Qual a cidade do Brasil onde este tipo de recurso se reverte verdadeiramente para o povo?  A cidade de Campos, no Rio de Janeiro, é portadora de absurdos surreais para uma cidade que recebe os royalties que têm direito.

Esta prática nossa inconsequente de criar monstros parece não ter fim.

E aí, presidente, o pré-sal vem aí?

PS: Abaixo segue um vídeo sobre o afundamento da P-36, na Bacia de Campos. Só para refrescar.


Responses

  1. criatura,tu é mt sabido visse!mas tu nu sabe,td é assim,os programas nunca sao entregues ou lançados com algum planejamento q pense no processo,mt menos, nos resultados. Tu num sabe, agente lança,vai consruindo no meio do caminho e depois vê no q é q dá…n precisa nem agente pensar nos 5 mil metros,é só olhar pra monsanto…

  2. Essa “bola” foi muito bem levantada.

    Como por aqui planejamento e prevenção são coisas utópicas, os caras discutem a divisão da grana do pré-sal antes mesmo de levarem em consideração possíveis acidentes.

    A incapacidade de compreender que os royalties são justamente para cobrir essas catástrofres (sempre previsíveis) e não uma maná dos deuses que apenas brota do chão é o que nos mantém presos ao terceiro mundo.

    Como eu sempre digo, faltam estadistas e sobram poíticos.

  3. Pois é, Arthurius. Enquanto isso encaramos as obrigações políticas como favores e votamos naqueles que nos fazem o “agrado” de cumprir com o acordado no momento do pleito. Muito feliz em ter você em meu humilde blog. Sucesso!

  4. Caro Eduardo, a sua preocupação é pertinente. A natureza está ameaçada em escala plenetária, que legado deixaremos para as gerçõeas do do porvir?

  5. Corrigindo texto anterior: … que legado deixaremos para as gerações do porvir?

  6. Cara, é complexo o assunto. Porém não precisa ser tão alarmante. Acidente é acidente. E aí deixariamos de voar pq acontecem acidentes aéreos? Na indústria acidentes acontecem assim como em outras partes da sociedade. A Petrobras não é burra. Não vai fazer burrada com o pré-sal. É tudo calculado. Já aprendemos muito com o caso P36 concerteza.

  7. Creio que não devemos ser tão alarmantes também, Joseph. Mas há certas coisas que não fazemos simplesmente pelo fato de não podermos conter as consequencias em um período aceitável. Existem riscos e riscos. O avião é o meio mais seguro que existe. No entanto nós autorizamos a moto, um veículo onde andamos na mesma velocidade dos carros sem a mínima proteção. E vemos um batalhão de pessoas morrendo dia após dia. A P36 aconteceu a menos de 1.500 metros e a quebra da tubulação não se deu na base da extração. O que eu falo é do risco desnecessário que corremos em construir uma estrutura e o acidente acontecer numa profundidade a qual nada poderemos fazer. E aí, vamos deixar o petróleo jorrando até secar só porque foi um acidente? Creio que a situação não é tão alarmante a partir do momento que os exemplos aparecem, não é?

  8. E se explodirem o poço com uma bela carga de profundidade – o deslocamento de rochas não taparia o buraco?
    abrs/

  9. Não podemos deixar de lembrar q a BP ja era conhecida a decadas pela falta de manutenção de seus equipamentos e tbm vale lembrar que embora perigoso, 1 problema no quintal do vizinho não pode atrapalhar a exploração de seu quintal

  10. É, precisamos ser cautelosos e diante desses erros, ganharmos mais conhecimentos para explorarmos nosso pre-sal com segurança.

    Em tempo: A culpa do vazamento no golfo do México é do Lula?…

  11. A famosa crítica da tragédia anunciada,tudo se repetirá por aqui com certeza.


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