Publicado por: Eduardo Bezerra | Abril 17, 2010

Um evento de sucesso

Próximo ano tem mais. Quem sabe um maior?

O 2º Encontro Pernambucano de Atenção Básica em Saúde, realizado ontem (16 de abril) no Centro de Convenções de Penambuco, foi um verdadeiro sucesso. Realizado pelo Instituto de Desenvolvimento Educacional (IDE/Faculdade Redentor), esgotou todas as 210 vagas disponíveis. Recebeu em sua platéia estudantes de graduação e pós-graduação de diversas instituições, representantes de várias secretarias de saúde, conselhos municipais de saúde, conselhos profissionais, ONG, enfim, um grupo qualificado e realmente heterogêneo.

Algumas estratégias definidas para este ano promoveram um maior aproveitamento das temáticas. Uma delas foi não contar com mesas temáticas. Estas, apesar de oferecer uma visão mais plural das temáticas, necessita de um evento mais amplo para acontecerem. Dispor três pessoas com 15 minutos de fala causa frustração nelas e na platéia, uma vez que só no final, quando não há mais tempo, o assunto flui e o expositor tem que se apressar para concluir sua fala.

Ao final do evento, como um dos organizadores, algumas análises podem ser feitas:

1) Há uma carência de eventos nos estados do Nordeste em discussões de aspecto mais prático da saúde pública. A procura pelo Encontro foi muito intensa e diversas pessoas relataram ser difícil observar estes temas em eventos aqui na região. Geralmente as organizações ficam presas a aspectos mais globais e teóricos das temáticas, coisa que muitas pessoas têm na sala de aula. As temáticas práticas ficam em debates escondidos ou em painéis de apresentação de trabalhos acadêmicos;

2) abrir espaços de discussão dá certo. Este tipo de encontro tem dois tipos de aproveitamento, um dentro do auditório, com a exposição das temáticas, e outro fora, no compartilhar de experiências. É possível conhecer outras pessoas, novos profissionais, novas formas de fazer saúde pública;

3) apostar na novidade também funciona. Os eventos em saúde pública continuam bastante dependentes de seus bastiões e com baixo poder de renovação. Hoje, são estas pessoas novas que têm trazido as novas possibilidades e as linhas atualmente em execução. Ao andar pelos locais onde se faz saúde pública, veremos caras novas e muito boas. Balancear experiência e novidade é o que faz refrescar este campo;

4) é difícil  montar um evento desse sendo uma empresa privada. Nossa saúde pública ainda é cegamente socialista. Pelo fato do Sistema Único de Saúde ser, como expôs um dos palestrantes, uma iniciativa socialista num ambiente capitalista, a briga do público com o privado fica muito em primeiro plano. E isso de uma forma que impede as pessoas de verem o conteúdo e idealizarem embalagens. O IDE não é uma entidade privada querendo ocupar o lugar do público, entretanto isso não a impede de realizar atividades de compartilhamento de informações com qualidade. Na realidade isso deveria ser a responsabilidade de toda instituição de ensino. Obviamente ela tem um produto a vender, mas não a qualquer custo. Seria muito fácil gastar o que foi destinado em peças publicitárias, inserções em rádio e TV e stands em shoppings. Ao invés disso se organizou um evento de livre acesso, sem privilégio para os alunos da entidade. O Instituto quer excelência naquilo que faz e chama bons profissionais para isso. Não entendo ainda qual o grande lastro do setor público ao se colocar como o único local digno de promover estas ações. A entidade privada obviamente quer também incrementar suas atividades para continuar funcionando. E a pública? O negócio dela é voto. O problema é quando a entidade particular tenta se aproveitar do entre público, transvestindo-se algumas vezes até de filantrópicas para conseguir o objetivo de se instrumentalizar.

É importante agradecer a todos os palestrantes: Chico de Assis, Islândia Carvalho, Domício Sá, Luzia Azevedo e Maria Alice Fortunato, por suas magníficas intervenções. Fábio, por vir e, depois de tanto tempo, expor seu belíssimo trabalho de conclusão da especialização. Alexandre David que, junto comigo, correu atrás dos participantes e montou as atividades. Fernando e Nathália, o casal que gerencia o IDE Cursos. Gisele, Roseane e Tiago, por segurarem o estresse do pessoal querendo vaga e pedindo boletos. As meninas que fizeram a logística do dia (não vou citar nominalmente por ter esquecido o nome de algumas). E o público que compareceu, participou e ficou até o final e uma sexta-feira cheia de atrações aqui no Recife.

Esta não é uma iniciativa isolada. faz parte de uma estratégia maior para fazer a informação em saúde girar Ainda vem muita coisa este ano, é só esperar.

Muito obrigado a todo mundo.


Responses

  1. Mata de peso na consciência por não ter assistido!!!!! kkkkkk ;-(

  2. Tem nada não, vão haver outras oportunidades.


Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

Categorias

%d bloggers like this: