Publicado por: Eduardo Bezerra | Março 24, 2010

Eleição e futebol: façam suas apostas

Pela cara, Severino Sérgio de Estelita Guerra deve estar adorando os números do Datafolha.

Copa do Mundo e eleições num mesmo ano. Dose pra leão. Em ambas o brasileiro pratica o seu esporte favorito: o palpite. Nunca estive em outros países mas conheço pessoas de diversas localidades do mundo, gosto de me informar sobre o que acontece lá fora e costumo acompanhar os processos eleitorais no restante do mundo. Posso estar errado, mas não creio que haja um povo que se divirta tanto com eleições como nós.

Divertir? Alguns de vocês podem perguntar atônitos. Exatamente. O processo eleitoral é nossa terapia em grupo favorita. Posso voltar a comparar ao futebol. Para quem gosta de uma boa partida só tem uma coisa melhor que o próprio jogo: assistir ou ouvir as resenhas esportivas no final de cada embate. As desculpas do derrotado, a alegria do vencedor. Ver e rever os gols de diversas formas, ângulos, velocidades. Será que estava impedido? Isso rende uma semana inteira.

Na eleição é a mesma coisa. Para aqueles que acompanham o pleito não há nada melhor que o período eleitoral. Já perceberam que  todo mundo esculhamba o horário eleitoral gratuito ainda que, no outro dia, absolutamente todos comentem aquele depoimento engraçado ou a informação bombástica soltada contra o concorrente? Cada qual pra seu lado. Meu candidato é meu time.

Tenho em meu coração uma cidade onde eleição é uma coisa tão séria que não raramente dá em morte. Em Taquaritinga do Norte, agreste suíço-pernambucano, a coisa é tão tensa que a cidade é dividida entre calabares e bocas-pretas. Tinha até o CalabarFolia, carnaval fora de época. Lá existem dois irmãos amigos meus de infância que passaram bom tempo da vida sem se falar, separados pela crença política de cada um. O mais interessante é que andavam colados pra todo lugar. Calados. Taquaritinga merece um post especial aqui no blog. Um dia escrevo.

E tem um temperinho especial que dá gosto a todo este prato: as pesquisas. Pesquisa é motivo de briga pra quem está em desvantagem ao mesmo tempo em que vira um troféu nas mãos de quem cresce. E isso funciona no trajeto de uma montanha russa com os lugares e insatisfações sendo trocados no meio da história. Nunca vi uma delas não ser motivo de discórdia entre as partes.

A pesquisa também envolve as paixões de quem não deveria manifestá-las nem sobre tortura. Você vê Joel Santana, Luxemburgo, Leão e tantos outros que, para defenderem seus times, preferem ser pais dos jogadores a profissionais. Nos institutos de pesquisa as coisas funcionam assim também. Cada um defende seu método da forma mais paternal possível. Estava lendo uma matéria sobre Carlos Augusto Montenegro no Portal IG dizendo que não acreditava que tinha dito que Dilma não ia crescer mais que 15%. Pois é, o presidente do IBOPE, falou no ano passado que depois dos 15%, a “Filha do Lula” ia ter que suar muito pra conseguir cada ponto.

Semelhante ao futebol, no processo eleitoral você tem até a idéia do favorito, nunca a certeza.Os institutos de pesquisa e a mídia, apesar da margem de erro, anunciam seus resultados como o final da eleição. No ano de 2006, por exemplo, o Vox Populi apontava para a vitória de Paulo Souto na Bahia. A eleição terminou com vitória do petista Jacques Wagner. O ano de 1998 foi pródigo neste tipo de “equívoco”. O Datafolha realizou tomadas em nove estados e o Distrito Federal, de acordo com Sérgio Buarque de Gusmão em seu ContraCorrente. O desempenho foi pífio e o instituto tropeçou em todas as pesquisas, comprometendo números de 13 dos 22 candidatos mencionados. O caso mais escabroso daquele ano, porém, foi do tradicionalíssimo IBOPE dando a vitória de Roseana Sarney, no Maranhão, com 70% dos votos. Ela empacou em 48,8% e eu até hoje nunca vi a Fátima Bernardes anunciar margem de erro de 21 pontos para cima ou para baixo.

Por falar em margem de erro, ela só é levada a sério depois da apuração quando os responsáveis pela pesquisa pensam: “Deu merda!!!” Antes disse ela é apenas um rodapé num gráfico ou uma obrigação da lei eleitoral. Pernambuco é um estado pródigo em gênios da estatística política. A eleição perdida por Roberto Magalhães para João Paulo que o diga. O certo é que acham pouco os institutos existentes e ainda chegam mais. Eu mesmo estou indeciso se abro uma igreja ou um instituto de pesquisa. Ambos os mercados estão aquecido.

Mas não há só semelhanças entre o futebol e as eleições. No primeiro caso eu posso vestir a camisa do meu time. Já a camisa com a foto de Liberato Costa Júnior o Tribunal Federal Eleitoral proibiu (graças a Deus!!!).

E então, quem vai fazer uma fezinha???


Responses

  1. Vc tá ficando muito perigoso, cabra! tenha cuidado…
    Primeiro vc revela o nome completo do Senador: não sabia que havia um Severino Estelita…kkk
    Depois anuncia que gostaria de entrar no mercado capitalista. Acho que vc se daria bem numa Igreja (pequenas igrejas grandes negócios). Que tal abrir uma tipo “pegue e page”? Lábia vc tem! Só resta saber se tá disposto a mentir bastante (um atributo necessário em ambos)! Bom, enquanto vc não se decide como vai ficar rico vai escrevendo aqui mesmo, que tá muito bom!
    Quanto a camisa, eu achava mais bonita aquelas com a cara de canditato feio de que essa coisa que vc usa (niguém é perfeito!) kkk Abraço

  2. Igreja é uma boa mas é um pouco restritivo. No instituto você pode pecar publicamente porque não cuida do espírito de ninguém. Agora, você me forla a dizer que a camisa do meu time é mais bonita que este pano de chão de três cores da qual você se orgulha tanto. Fita azul…


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