Publicado por: Eduardo Bezerra | Março 22, 2010

A Aids assusta o poderoso Tio Sam

Tenho a mania de ficar ligado na Rádio CBN sempre que posso. Essa semana a coluna Saúde em Foco, de Luís Fernando Correia, trouxe uma notícia publicada no New England Journal of Medicine com dados no mínimo assustadores sobre a epidemia de Aids nos Estados Unidos. Não sei se os números da pesquisa assustam mais que o silêncio no qual os americanos vivem com relação à sua realidade.

Ao se falar de Aids, nos últimos dez anos, automaticamente se pensava em África. Com informações tão alarmantes, não tardou para os países subsaharianos assustarem o mundo com resultados de sua epidemia. O Brasil passou a ser lembrado pela sua política de saúde e os países desenvolvidos achando que o dinheiro que circula em seus territórios possuem algum potencial preventivo em relação ao HIV.

Os novos dados norte-americanos, além de um indicador do cuidado com a política de saúde local, é um lembrete para os demais países do mundo que se satisfazem em fazerem apenas campanha pelo uso de preservativos e negligenciam iniciativas mais amplas no combate ao HIV. O país mais rico do mundo hoje convive com uma situação pior que muitos países africanos em várias de suas regiões.

É bom lembrar que o New England Journal of Medicine é uma das publicações mais respeitadas do mundo no campo da saúde. Para se ter idéia da dimensão do problema, 1 em cada 30 homens de Washington DC, a capital da federação, estão contaminados. Esta prevalência é maior que em países como Etiópia, Nigéria e Ruanda.  Quando algumas populações específicas são analisadas é perceptível, por exemplo, que 1 em cada 40 homens negros, 1 em cada 8 usuários de drogas injetáveis e 1 em cada 10 homens que fazem sexo com outros homens, em Nova York,  estão contaminados. Voltando à capital do país, 1 em cada 16 homens negros compartilham desta condição.

Conforme observado no gráfico abaixo, a situação da Aids nos EUA não vai muito bem.

Outro fator também assustador está na quantidade de norte-americanos infectados pelo HIV. Estima-se que atualmente mais de 1 milhão deles são soropositivos, 20% deles sem a mínima idéia disso. O estudo é verdadeiramente interessante e mostra que a epidemia afeta primariamente regiões mais discretas do país, especialmente em áreas do Nordeste e Costa Oeste. Além destas, centros como Nova York sofrem com a prática sexual desprotegida por grupos de redes de relacionamento relativamente restritas. A pesquisa demonstrou o crescimento significativo em pessoas de limitada mobilidade social e aqueles com o hábito de selecionar parceiros. Pelo que parece o tempo no qual a imagem do portador do HIV era uma pessoa promíscua ficou pra trás.

A pesquisa surpreende e alerta o planeta para o cuidado constante em relação a uma epidemia que não se desfez. Aqui no Brasil, apesar de seus reconhecidos avanços, há vários campos ainda expostos. Um exemplo é a negligência no aumento do número de casos entre pessoas idosas.

Nos Estados Unidos é uma ótima oportunidade de discutir seu sistema de saúde tão excludente, sobretudo em época de votação da reforma de saúde. Falo isso porque Obama lê o meu Blog.

Olho aberto, pessoal!!!

Links interessantes:

Blog do Saúde em Foco (Rádio CBN): http://colunas.cbn.globoradio.globo.com/luisfernandocorreia/2010/03/18/mais-uma-verdade-inconveniente/

Site da publicação (só para cadastrados. Quem quiser pode habilitar cadastro por até 21 dias gratuito, depois só por US$ 99,00) – em inglês: http://content.nejm.org/cgi/content/full/362/11/967


Responses

  1. Né brinquedo não, rapá!
    E com a maior sobrevida e melhoria da qualidade de vida dos portadores (o que é excelente), temos um aumento da prevalência e uma maior circulação do vírus. Só a prevenção mesmo para nos salvar, mas ainda falhamos (e muito) na detecção…
    Esses dados são realmente assustadores. Acho que os EUA tão levando muito a sério essa história de relaxar e gozar, e esquecendo de se proteger. Nunca acontece com a gente, só com o vizinho, não é?!
    =/

  2. Excelente matéria Eduardo. Esses alertas são necessários para fortalecer a mobilização social em torno do enfrentamento do HIV.


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