Publicado por: Eduardo Bezerra | Março 20, 2010

De repente a Tamarineira virou um problema tão pequeno…

Olha a belezinha que vem aí! Eu não sabia que no Recife existia esta floresta à beira-mar.

É, pessoal! E a gente achando que o maior problema do Recife nos próximos anos seria o Shopping da Tamarineira. Quanto engano! Pela primeira vez eu achava que a mídia ia, sinceramente, de encontro a um potencial cliente em função do bem comum da cidade. Bobagem! Todo espaço dado à campanha contra o negócio da Santa Casa tinha um motivo especial: o megashopping de Paes Mendonça.

Se alguém imaginava que o impacto seria grande para um negócio que, provavelmente, terá um tamanho intermediário entre o Plaza e o Tacaruna, o que dizer de plantar no meio do Pina aquele que seria o maior centro de compras do Norte-Nordeste? Além disso há duas torres empresariais envolvidas. E, novamente, para amanteigar a proposta, vem a balela da área verde.

Sugiro que o movimento de amigos da Tamarineira amplie seu foco e crie os “Amigos do Recife”. Bem, o Pina é um local inabitado, com tão pouco trânsito que eu nem sei porque é que existe aquela via larga terminando na Domingos Ferreira. Às 17h você pode andar de bicicleta e atravessar a rua tranquilamente, sem nenhum problema. Naquela localidade, as crianças podem saber como é jogar bola no meio da rua, fazendo barrinha (Isso é uma ironia, viu?). Eu sei que é loucura pra todo mundo menos para João Carlos Paes Mendonça, João da Costa e a mídia que, quando não é empregada pelo homem do JC, veicula gordas propagandas de seus negócios.

Até hoje a cidade não resolveu o problema do entorno do Shopping Center Recife. Fui vizinho por dois anos daquela loucura e atesto que a confusão é muita. Nem o aporte de eletricidade, uma coisa óbvia, foi bem planejado. Vez ou outra, sobretudo no final do ano, as quedas de energia eram constantes em função da necessidade de abastecimento do mesmo. Além do trânsito. Tenho pena de quem mora naquelas ruazinhas que são entradas do Shopping. O inferno é grande.

Talvez o único sucesso da cidade nesta área foi o Shopping Tacaruna. O segredo? A área. Pouco habitada em termos de prédios. Apesar de ser entrada para a cidade de Olinda, a forma como as vias foram distribuídas favorecem a circulação. Além do mais não é um enorme centro de compras. Tem o tamanho certo para o entorno certo. Deve ter seus problemas, mas é um local agradável de se visitar sem surpresas.

Não quero nem falar do impacto ambiental de um negócio destes. Até porque numa cidade como a nossa, o ecossistema já é outro: concreto, esgoto a céu aberto, morro ocupado na encosta, barulho, fumaça e poeira. E algumas árvores “nativas” para aplacar nossa consciência tão pesada. É justamente numa situação como essa que lembro de nossa incompetência em pensar a Região Metropolitana como um todo.

Não sou contra empreendimentos deste tipo. Seria burrice e intransigência de minha parte não reconhecer os benefícios econômicos de uma proposta deste tipo. Mas ela não pode ser feita em qualquer local, de qualquer forma, passando por cima das prioridades de sobrevivência de um conjunto de 1,5 milhões de pessoas. Quando falo da questão do trânsito, não falo apenas do engarrafamento que um novo prédio ajuda a aumentar na minha rua. Estou falando do fluxo cada vez maior de pessoas que vivem nas demais cidades da RMR em direção à capital.

Por que não levar esta proposta para um dos municípios vizinhos ao Recife? Temos Olinda, com toda aquela extensão da PE-15 beneficiada por uma via larga e um novo conjunto de viadutos para facilitar sua vida. A estruturação da área poderia beneficiar um município com quase nenhuma vocação econômica e reduzidíssimo potencial arrecadatório. Seria uma oportunidade para melhorar o bairro de Peixinhos, Ouro Preto, Tabajara. Camaragibe teria a possibilidade de melhorar sua infraestrutura e comunicação com a capital.

É importante lembrar que o Recife é a quinta menor capital do Brasil em área. Sua possibilidade de crescimento horizontal é zero, uma vez que se encontra urbanisticamente soldada (ou conurbada, como diriam os acadêmicos), às suas vizinhas. As ruas do Recife não comportam, o saneamento do Recife não comporta, a paciência do Recife talvez não comporte. A proposta não precisa ser uma Arena da Copa, construída no meio do nada na esperança da torcida se deslocar para assistir Náutico x Cabense, Santa Cruz x Vera Cruz ou Sport x Salgueiro.

O pior é que a mídia ainda quer passar a idéia de que este é o negócio que o Recife sempre esperou. Está certo que somos um povo megalomaníaco, mas grandeza tem limites. Nos meios de comunicação do Grupo Jornal do Commércio, obviamente a coisa foi anunciada com fogos, até porque ninguém quer ser demitido mesmo. Nos demais, que, apesar de concorrentes, têm Paes Mendonça como cliente forte, a divulgação foi tímida, mas sempre positiva. E depois tem gente fazendo discurso de imprensa livre…

Senhores vereadores e deputados, aguardo ansiosamente o chamamento de Paes Mendonça para esclarecer esta notícia. Pode até sentá-lo ao lado do arcebispo.

De repente o problema da Tamarineira ficou tão pequeno…

PS,: E quem, como o prefeito, vier com essa história de geração de empregos, lembre-se que esta é uma das justificativa para se manter a indústria do cigarro, maior responsável pelas morte evitáveis hoje no mundo (dados de minha amiga Maristela Menezes).


Responses

  1. Caro Eduardo:
    Hoje tomei conhecimento do seu Blog, por meio de mensagem enviada pelo companheiro Alexandre David. Parabéns pela iniciativa e pela alta qualidade das postagens que abordam temas atualissimos. A proveito a oportunidade para convidá-lo a visitar o meu Blog cujo endereço eletrônico é: http://geraldobarbosa43.blogspot.com/
    Um grande abraço,
    Geraldo Barbosa

  2. Grande amigo Geraldo Barbosa, é um prazer ter você como novo leitor do Blog. Felicidade imensa. Já registrei sua página nos links aí no lado. Abraço grande em você e na minha amiga Marli.

  3. É meu caro amigo, pelo jeito não vai faltar matéria para protestar… Nesse ritmo eu não vou consegui prodizir tantos versos de protestos. Teria que virar um poeta repentista profissional. Ah, vamos convocar todos violeiros do nosso Nordeste!!! Porque numa sociedade mais consciente todo cidadão atuaria da sua forma. Será que um dia chegaremos lá? Tenho fé…

  4. Amigo Domício. Fé eu tenho bastante. O problema é que muitas vezes a fé é um acalanto. Penso se não seria melhor ter desespero, talvez assim a gente fizesse alguma coisa. A fé conforta e dá forças para esperar. Não sei se ainda é tempo de darmos a outra face para bater. Enquanto isso, cantemos nossas dores por aí. Toque o fole, poeta!!!

  5. Oh meu velho… você esqueceu de uma pequena coisinha em seu post… o grande lançamento imobiliário que não tardará a acontecer… a continuidade das torres gêmeas no Recife Antigo, que irá transbordar ainda mais a região com veículos circulando não sei por onde… há já sei… irão trafegar pela Via Mangue que ninguém sabia direita a sua função, o Paes Mendonça já sabia com toda certeza o que faria e quem atenderia.

    Desse jeito dá para entender direitinho porque no início do ano o JC realizou uma matéria apontando a valorização dos imóveis em 30%, afinal, o nosso querido Paes Mendonça tem quantos imóveis por ali? Terrenos que não valiam muito e que agora devem ter aumentado pelo menos isso aí.

    Abraços meu velho.

  6. É verdade, carequinha. Você é um fofoqueiro de primeira. Quer deixar o homem liso? Não fale essas coisas por aí que os baluartes da imprensa livre pode querer arrancar o resto dos seus cabelos.

  7. Ei, que história é essa de utilizar “Olinda, com toda aquela extensão da PE-15 beneficiada por uma via larga e um novo conjunto de viadutos para facilitar sua vida”.
    Nem vem rapaz, quer piorar as minhas noites? Semana passada mesmo peguei um engarrafamento tão grande do Tacaruna até a PE-15 (altura do quartel do exército) que deu pra ouvir quase dois CDs inteiros de metal no carro =P

  8. Tá achando ruim? Se muda!!! Beijão, danada.

  9. Desse jeito só se mudando para Avatar, kkkkkkkkkk

  10. A JCPM é uma empresa séria que se preocupa com a sociedade pode-se notar que ela tem muita responssabilidade social, em Sergipe ela desenvolveu um belo projeto social para a serra dos machados através da fundaçao pedro paes mendonça realizadea pelo grupo JCPM,quem quiser saber mais assista o video no site da empresa,(está no link compromisso social).
    o novo shopping RIOMAR, que será construido nao pina, não terá impacto ambiental tao forte como se diz,afinal a áOlá pessoal,eu sou Wesley e estou aqui para abordar a respeito da critica de Andrede Bezerra referente ao shopping riomar da JCPM
    rea atual da futura construçao possue favelas,palafitas e etc.. e não area verde! a construçao do shopping trará mais emprego,ptencializará a economia da cidade e dará vada digna as pessouas que moram em palafitas onde será construido um futuro shopping center,pois tais pessoas serão indenizadas e tarão uma vida digna, sairão de palafitas e irão morar em casa e residencias descentes, melhorará a qualidade de vida dessas pessoas, o sopping em si trará benéficios ainda maiores para a zona sul;sobre o transito não averá problema nenhum pois o shopping será construido as margens da via mangue( nova via de acesso do centro para a zona sul).
    entenderia sua critica se o shopping fosse construido no meio do mangue,pois causaria um mega impacto ambiental,mas o shopping será construido as margens do rio pina e isso não é problema, eu sou AFVOR DA CONSTRUÇÃO DO SHOPPING E ANSEIO MUITO POR SUA INLGURAÇAO!!!!!!!!!!!!!!!!

  11. Caro Wesley. Agradeço o seu comentário e aceito sua opinião, apesar de não concordar. Antes de tudo gostaria de dizer que não faço um prejulgamento negativo do grupo JCPM, até porque não tenho provas para tal. Ao mesmo tempo, eles fazem a função deles em solicitar o projeto. O dever de negar é do governo (que não o faz). Mas vou começar pelo final. Margem de rio não é feita para construção, perder o espaço de mata ciliar para edificações é um crime sem precedentes não só para o meio ambiente, mas para a urbanidade. São estas margens, numa cidade como a nossa, que favorecem a drenagem do solo nos dias de chuva. Sua ocupação desordenada é uma das responsáveis pelo caos dos alagamentos na cidade. Outro ponto é o da justificação plena de qualquer ação por ocasião da economia. Economia diz respeito a dinheiro e finanças, quase nunca a qualidade de vida. A indústria do cigarro constantemente se utiliza deste discurso para justificar as mortes pelo fumo como mínimas (pode?) em relação aos “benefícios econômicos do mercado do cigarro”. A via Mangue sozinha não vai dar cabo de muita coisa. Quem diz isso é o próprio prefeito da cidade. Isso é um paliativo, portanto, esta justificativa não passa de uma grande furada. Não posso falar por Sergipe porque não conheço a realidade de lá, mas tomar como base um vídeo institucional é a mesma coisa que justificar os atos ilícitos de um pastor da Universal por seus sermões. Certamente ele não vai falar mal de si próprio. Não condeno o progresso, mas acho que podemos pensar nosso entorno numa perspectiva mais metropolitana. Do contrário, só haverá Recife como irradiador de emprego e investimentos e as demais cidades da RMR continuarão servindo de dormitório e reservatório de gente.

  12. LEI Nº 4.771, DE 15 DE SETEMBRO DE 1965

    Art. 2° Consideram-se de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas:

    a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d’água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será:

    1 – de 30 (trinta) metros para os cursos d’água de menos de 10 (dez) metros de largura;

    2 – de 50 (cinquenta) metros para os cursos d’água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura;

    3 – de 100 (cem) metros para os cursos d’água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura;

    4 – de 200 (duzentos) metros para os cursos d’água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura;

    5 – de 500 (quinhentos) metros para os cursos d’água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros.
    __________

    O Recife e grande parte das cidades geram impactos enormes ao meio ambiente em prol da economia. James Lovelook em um de seus livros apontou que o planeta não suporta mais crescimento, ele precisa se ajustar. Nossas pegadas ecológicas apontam a necessidade de vários planetas como o nosso para poder dar suporte aos nossos anseios de crescimento e desenvolvimento.

    Que o Shopping do JCPM venha e seja bem vindo, dentro de uma lógica de sustentabilidade, mas não de sustentabilidade meramente econômica, que gere empregos, porém, mantendo os ribeirinhos que vivem de pesca artesanal naquela região, ao invés de “ganharem” casas sem reboco longe de sua fonte de renda. Sustentabilidade recuperando o meio ambiente já degradado há muitos anos, não agora, porém respeitando as leis vigentes e o bom senso que a sobrevivência no planeta assim o exigem. Afinal, Suape vai desmatar quantos hectares de mangue e mata em prol do desenvolvimento? Quem questiona? Ninguém! Porém, nossas gerações futuras perdoaram isso? Talvez sim, talvez não.

    Se vamos ver vídeos vou dar uma lista bem interessante para assistirmos:

    – O mundo sem ninguém
    – A história das coisas
    – Ilha das Flores

    Bons filmes


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