Publicado por: Eduardo Bezerra | Janeiro 28, 2009

O Fórum Social Mundial (e por que ninguém questiona Davos?)

240108davosfsm1O que significa conviver com a desigualdade social? Frei Betto escreveu há alguns anos atrás os “10 Mandamentos do Militante de Esquerda”. Saliento, antes de tudo, que esta idéia de esquerda nada tem haver com a cartilha hoje rezada pelo PT, PC do B ou até mesmo os pretensos baluartes Psol e PSTU. É uma esquerda ideológica, independente da veiculação partidária. Voltando à desigualdade, Frei Betto adota o método de Norberto Bobbio, o qual atesta que a direita considera a mesma tão natural quanto a diferença entre o dia e a noite. Um verdadeiro militante de esquerda encara-a como uma aberração a ser erradicada.

Entretanto, todos os anos os mesmos eventos acontecem: FSM e Fórum de Davos. E como tal, um sem número de artigos, reportagens, opinião e outras coisas. Porém, o que cada coisa significa realmente? O Fórum Econômico suíço é um encontro anual que acontece há 38 anos nas cidades de Davos-Klosters na Suíça. O encontro reúne chefes de estado, ministros da fazenda e autoridades dos países mais importantes do mundo. Lá, além do café, whisky, biscoitos, chocolates e muitos dólares e euros, é decidido o destino econômico do mundo como se este fosse o único problema nele existente.

O Fórum Social Mundial acontece desde o ano de 2001 e teve como primeira e mais emblemática sede a cidade de Porto Alegre. O FSM surge como uma alternativa ao economicismo de Davos. A fome pode ser curada com dinheiro? A República do Congo é uma das maiores produtoras de diamantes do mundo e, pelo que eu conheço, há poucas coisas mais valiosas no planeta. Ainda assim, o Congo é um dos países onde a fome mais flagela.

Há diferenças cruciais entre um fórum e outro. O FSM envolve todas as nações, etnias, orientações sexuais, governos, ONG, o que seja. Não importa se o país é pobre ou rico. Em Davos, afora o G-8, outros países só participam se convidados. No FSM, as discussões passam pela economia, cultura, inclusão social, saúde, emprego. Em Davos os euros, dólares, indústria, comércio, bolsa de valores. No FSM, é possível encontrar israelenses e palestinos juntos. Em Davos, o ainda impensável embargo a Cuba nem é discutido. No FSM, as pessoas caminham e participam das discussões. Em Davos elas, aquelas que compram e alimentam a roda da economia, ficam a uma distância de cinco quilômetros do foco das discussões.

É óbvio que financiar o Fórum Social Mundial não é barato. É um evento feito para mais de 120.000 participantes efetivos. O Fórum de Davos é muito mais caro e feito para não mais de cem pessoas decidirem se você vai receber o seu salário ou não. Ainda sim, os questionamentos aos custos do FSM são, no mínimo, preconceituosos. Os questionamentos aos gastos de Davos são, definitivamente, inexistentes.

Para o fórum suíço, as pessoas são gastos e custos. Para o de Belém do Pará, pessoas são pessoas. Só para lembrar, apenas 10% do dinheiro do mundo existe de verdade, o restante é moeda virtual, mercado especulativo. As pessoas, por outro lado, são de carne e osso, apesar do orkut. O tema de Davos “Confiança para potencializar o Estado no mundo”. Em Belém do Pará: “Um outro mundo é possível”. E então, cada um no seu quadrado?


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