Publicado por: Eduardo Bezerra | Agosto 23, 2013

A Política do Foda-se!!!

Desculpem a falta de polidez do tema. Eu sou assim mesmo. Eu penso algo e escrevo. Não tenho problema algum com palavrão. Ainda assim, neste caso, pensei bastante para compor este título. Achei grosseiro (sim, eu achei!!!) mas foi o mais apropriado que encontrei. É assim que me sinto. E é assim que nos sentimos. Alguns de maneira mais contida, outros de maneira mais exposta. Mas é um sentimento consequente de nossa condição de cidadãos periféricos.

Agora foi o Terminal de Integração do Xambá. Mas já foram muitas outras situações. Está sendo na Avenida Caxangá onde as obras das paradas de ônibus se arrastam indefinidamente. Pra coroar o processo a construção encontrou o Túnel da Abolição. Hoje, este braço da cidade ainda foi “brindado” com o terminal do Derby. Orgulhosamente apresentado como 100 metros de um projeto magnífico. Planejamento para prejudicar o mínimo possível a população é nenhum. 

Amplia-se o Viaduto Capitão Temudo, aquele da Joana Bezerra, e o trajeto é o menos democrático do Recife. Não há lugar para o pedestre. Não há lugar para o ciclista. Só a carros, ônibus, caminhões e motos foram permitidos o livre acesso. Um cidadão não pode se dirigir autonomamente da parte da cidade que fica na altura do Hospital Português até o Pina. Precisa, para ter segurança, de carro, ônibus, caminhão ou motos.

A reforma na escola do bairro não passa pela necessidade das pessoas. A Unidade de Saúde da Família não obedece a critérios técnicos. As Conferências estão aí nas cidades e estados com suas deliberações. Se arvoram num povo que não aprendeu ainda a cobrar política pública. Um povo que não percebeu que a reclamação enquanto ferramenta única não faz muito. É preciso proposta e ação. Estas demandas são guardadas e os pedidos dos políticos atendidos na frente pra depois surgir um faixa: “Obrigado, vereador fulano, pela obra que trouxe pra nossa comunidade!” Ou, “muito gratos, deputado ciclano, pela rua que foi pavimentada”.

As políticas públicas são edificadas por pessoas que, em sua maioria, não usam o SUS. Não andam de ônibus. Não pedalam. Não andam pela cidade dos pobres. Não tem buracos homéricos em suas ruas. Não têm contato com a vida real da imensa maioria de nossas cidades. Aí eles propõem um terminal que atrasa em mais de hora um trabalhador ou trabalhadora de chegar em sua casa. Expõe o mesmo ao perigo de uma cidade que não oferece segurança. Joga um cidadão contra o outro no estresse de tentar se locomover neste trânsito absurdo.

Mas eles sabem que somos resilientes e nos acostumamos com tudo. Inclusive com o pior. E contam descaradamente com o tempo que nos faz esquecer e aceitar estas situações. O gestor da Região Metropolitana do Recife hoje atende pelo nome de Copa do Mundo de Futebol. Por intermédio de sua urgência projetos mirabolantes, caros e desnecessários se escondem sob a égide de um “plano de urbanização”. E assim nos entregam sucessivas e intermináveis políticas do “foda-se”. Ou assim, bem grande, em letras garrafais: FODA-SE!!!

Quanto tempo mais seremos ignorados? Quanto tempo mais nossas necessidades serão relativizadas? Por quanto tempo mais haverá tanto conformismo? Depende deles? Não! Isso é com a gente mesmo.

Publicado por: Eduardo Bezerra | Julho 31, 2013

Por que é fácil ser político no Brasil?

Não acredite na falácia de um político quando ele diz que é difícil sê-lo no Brasil. Balela. É facílimo. Primeiro você tem que separar a massa que se mete em política partidária. Só um pedaço muito pequeno daqueles ali é político, o resto é politiqueiro, massa de manobra. E isso já reduz muito o espaço. Há o babão, o cabo eleitoral, o “estrategista”, o assessor de porra nenhuma. Para cada tubarão há uma fauna simbiótica enorme. É só prestar atenção no conjunto que se agrega ao redor de um candidato.

Mas esse não é um texto sobre o político, mas sobre o alvo do político: o povo. Evitei fazer este texto durante a visita do Papa porque é muito feio falar de visitas com a visita em casa, não é? Na realidade, o problema é a alma histérica que toma da maioria das pessoas. Algumas delas até de maneira surpreendente.

É fácil ser político num país sem memória. A grande qualidade eletiva de um político no Brasil é seu carisma. Vamos à história. O que elegeu Collor? A imagem que foi criada ao redor dele. Ninguém sabia quem ele era, mas havia uma imagem extremamente carismática. O cara de gestos fortes, sorriso largo, jovial. Lula só passou a ser presidenciável quando deixou de ser o sapo barbudo e se transformou no Ursinho Pooh. Alguns dizem que foi por conta do acordo com os grandes capitalistas. Para ser presidente ainda é preciso ter voto e o voto é do povão. Dilma só passou a ter chances quando tomou um banho publicitário. Humberto Costa, nosso exemplo local, apesar de um político com inúmeros recursos é péssimo em imagem e interação com as pessoas. Resultado: perde eleições majoritárias com muita facilidade.

O brasileiro é igual a mulher de malandro. Gosta que digam o que se quer ouvir sem se importar com as atitudes. Um sorrisão, um abraço, aceitar o seu presente com festa, descer de carro pra falar com o pessoal, quebrar protocolo diplomático? Poxa… Tudo isso é motivo pra uma comoção sem precedentes. E se a mídia estiver do lado e ajudar a construir a imagem, aí é o céu. É eleição certa.

Não quero dizer que o Papa tem esse comportamento de hoje. Pelo contrário, isso é até natural nele. Quando arcebispo em Buenos Aires, andava de transporte público. Que bom. Mas o que me importa para avaliar o elemento é a história. E aí é daí que vem a memória. Simplicidade pode dizer pouco, dependendo do fim para o qual trabalhe. E hoje Jorge Mario Bergoglio é Papa e ser Papa é mais político que religioso.

Assustei-me com a declaração dele de que “Se uma pessoa é gay, busca Deus e tem boa vontade, quem sou eu para julgá-la?” Muita gente comemorou como um avanço da Igreja. E, por incrível que pareça, a manifestação mais interessante foi a do deputado Pastor Marco Feliciano. “Também concordo que as igrejas estejam abertas para receber os gays que procuram Deus, aliás isso sempre foi feito pela igreja evangélica. A imprensa só deveria ser mais honesta e colocar com letras garrafais que, entretanto, o Papa disse que a igreja não muda seus posicionamentos. Ou seja, ela ama o pecador mas não ama o pecado. Aceita o homossexual, mas não aceita o ato homossexual. A igreja não muda o que a bíblia diz. Ao fazerem uma matéria com o tema que fizeram a mídia é desonesta, dá-se a entender que o Papa liberou o que a bíblia proibiu”. Feliciano é um imbecil, mas foi coerente.

É interessante porque, quando foi arcebispo de Buenos Aires, suas palavras não foram tão benevolentes. Sobretudo quando você considera que estes que você não pode condenar também são capazes de “ferir gravemente a família”, de colocar “em jogo a vida de tantas crianças que serão discriminadas de antemão, privando-se do amadurecimento humano que Deus quis que se desse com um pai e uma mãe. Está em jogo o rechaço direto à lei de Deus, gravada, ademais, nos nossos corações.”

É pesado e contraditório. O Papa foi político no Brasil. Foi pouco líder religioso e muito político. Deixou em Roma os dogmas. E foi sábio. Ele acompanhou de lá o caos social no qual o Brasil está imerso, a rejeição a todo e qualquer gasto público que não seja com serviços essenciais. Ele viu a repercussão dos gastos com a Jornada. E sabe que o católico brasileiro é pouco dado aos dogmas e tem uma afeição sem fim pelo pecado. O católico brasileiro talvez seja o menos religioso do mundo. Ele sabe que a maioria deles não tem resistência à união civil entre pessoas do mesmo sexo ou a legalização do aborto. E foi habilidoso em conduzir este processo. Foi um exemplar chefe de estado.

A fala do Papa que mais gostei citou o trecho do Evangelho de Mateus (7:1-5): “Não julguem, para que vocês não sejam julgados. Pois da mesma forma que julgarem, vocês serão julgados; e a medida que usarem, também será usada para medir vocês. “Por que você repara no cisco que está no olho do seu irmão e não se dá conta da viga que está em seu próprio olho? Como você pode dizer ao seu irmão: ‘Deixe-me tirar o cisco do seu olho’, quando há uma viga no seu? Hipócrita, tire primeiro a viga do seu olho, e então você verá claramente para tirar o cisco do olho do seu irmão.”

Porque é fácil falar da corrupção alheia quando a sua trave está em negócios suspeitos mundo afora e que agora a gente conhece alguma coisa. Os escândalos financeiros. Quando seus sacerdotes estão metidos em casos de pedofilia e escândalos sexuais diversos. Quando se descobre vínculos da Igreja com governos de párias, como a relação de Pio XII com o nazismo/fascismo, a perseguição de João Paulo II / Ratzinger a Dom Hélder Câmara e até do próprio Bergoglio com a ditadura argentina. Prefiro ficar com o próprio Dom Hélder ao afirmar que quando se aponta o dedo para alguém há três apontando pra nós.

Mas o Papa não feriu seus princípios, não mudou de opinião nem traiu a Igreja em nenhum momento. Não houve avanço nem retrocesso. Ele não seria eleito para mudar o rumo das cosias. A Igreja precisava de um comunicador e conseguiu um. Porém os sorrisos apagam tudo. E é por isso que é tão fácil ser político no Brasil. Nossas eleições mostrarão.

Publicado por: Eduardo Bezerra | Julho 26, 2013

Quando a humanização sumiu da saúde pública…

Já percebeu que desde que eclodiu a guerra entre os médicos e o governo federal a humanização sumiu de cena? Percebeu a ausência de discussões sobre o Sistema Único de Saúde? Percebeu que tudo, de uma hora pra outra, passou a se resumir em ter a medicina no SUS ou não??? Pozé… É assim que a coisa está se dando. Um governo atabalhoado e atormentado por um país em crise social e uma categoria que tenta segurar de todas as formas uma hegemonia mesquinha e de cunho individual, corporativo. Está sim. A coisa está bem polarizada.

É engraçado porque toda vez que um médico vem falar com você sobre o que está acontecendo e o que a Dilma quer fazer com eles, em meio a uma síncope nervosa vem todo um processo já conhecido. Primeiro, todos os argumentos dados por eles cabem num ambiente de hospital. Atenção primária só aparece enquanto detalhe. Dá vontade de gravar e mostrar a eles de maneira comentada. Depois, parece que todos os problemas em questão se resumem em dinheiro e infra estrutura.

Pois deixe eu ir adiante. Lembrar uma coisa. Antes do usuário (e é bom que aprendam que quem usa o SUS não é paciente, é usuário. Não é cliente, é usuário) chegar até a alta tecnologia, ele tem que sentar de frente pra um profissional que vai utilizar única e exclusivamente o seu conhecimento para o primeiro contato. Parece pouco e só um detalhe, mas não é. É essa escuta que vai determinar que tecnologia será usada, para qual especialista será encaminhado, que exames serão solicitados, para qual serviço será encaminhado, qual a suspeita que dá suporte ao que vem depois. Mas isso não é preocupação da luta dos médicos. Não que eu tenha escutado até o momento.

Porque falta uma coisa chamada autocrítica. Saber que existe uma contribuição a ser dada pelo profissional no respeito ao usuário. É preciso desfazer altares. Acabar com essa história de que o médico é o profissional que mais estuda. Deixa eu lembrar outra coisa. Todo e qualquer profissional de saúde estuda muito. Todo e qualquer profissional de saúde vira noites em plantão. Todo e qualquer profissional de saúde se acaba em especializações, mestrados, doutorados, residências, atualizações, o que seja. 

Isso se dá porque a humanização no Sistema Único de Saúde parece conversa de hippie maconheiro. Todo mundo diz que dá valor, mas pouca gente o faz como prioridade. Tive a possibilidade de trabalhar com isso em uma oportunidade mas na hora da contenção de gastos, de maneira muito simbólica, foi a primeira política a ser limada. Humanização não tem nada haver com a animalização do profissional. Tem haver com a forma robotizada e automatizada que estamos lidando com o cidadão. O respeito que não temos a ele.

E médicos, que falam da saúde na atenção básica como a antessala de um hospital, deveriam ter uma postura mais respeitosa. A arte de curar é divina. Evitar a necessidade de cura é supremo. Por isso falamos tanto em interdisciplinaridade e horizontalidade em um SUS que é medicocentrado. Que tal o governo federal tomar uma atitude de verdade em relação a esta medicalização? Que tal começar a financiar equipes de atenção primária ainda que não tenham médicos no quadro? Financiar de verdade! Que tal valorizar as categorias e potencializar o trabalho de prevenção e promoção, e não fazer de conta? Que tal repensar um sistema de saúde que não se baixe tanto a uma categoria que, mesmo tendo tudo, acha que não tem nada? Uma política de saúde de verdade consegue isso bem mais rápido. 

É óbvio que as estruturas de saúde precisam de infraestruturas e todos os profissionais serem valorizados pela importância que tem para o local onde estão. Mas eu digo uma coisa. Melhorar infraestrutura para o nível de profissionais que temos, de todas as categorias, é a mesma coisa que tirar um graveto de um chimpanzé e dar um fuzil. O estrago é o mesmo. Já vi muito isso por aí. Profissional ruim em estrutura boa é a sucursal do inferno.

Quando essa lógica começar a ser desfeita, aí sim eu vou acreditar que algum governo está realmente querendo fazer algo pela saúde pública. Por enquanto não. É só pendenga.

Publicado por: Eduardo Bezerra | Junho 14, 2013

E você jura que ainda não encheu o saco???

Você é brasileiro. Mas não lê jornal, revista ou ouve rádio. Não acessa internet. Não está entrosado das revoltas diárias do facebook. Não, não se preocupe, você não está fora do jogo. Realidade é bicho matreito, cheio de artes. Realidade te acha independente de você ter ido até ela. Não se vai até ela. Porque, por mais estranho e solitário que você seja, em algum momento socializa. Apanha um ônibus, vai a um serviço de saúde, acende uma luz, abre uma torneira. Coisa qualquer. Mas socializa. É daí que vem a pergunta: você jura que ainda não encheu o saco???

Você não encheu o saco de pagar tanto imposto e não ter nenhum serviço? Ou de ver as pessoas que te representam jogarem com o teu patrimônio? Você ainda não tem asco de usar serviços que, quando muito, são mais ou menos? De ser maltratado em uma unidade de saúde porque a pessoa de branco ali na frente pressupõe que sabe tudo de sua vida, tem um dom divino e pode te olhar como um nada? E você na sua falta de atitude acha que é mais que um nada?

E ainda não cansou de pagar por uma Copa do Mundo ou por uma Olimpíada que virou farra do orçamento público? Mesmo depois de Jogos Panamericano que perderam um velódromo, um parque aquático e um estádio de futebol? Ou que a Copa no Brasil prometeu, com um orçamento “x”, estádios, estradas, hotéis, transporte público, internet rápida, inglês pras putas, vilas e tantas outras coisas? E o orçamento aplicado já quadruplicou e o máximo que apareceu foram as arenas? Você não se incomoda da Fifa ter proibido o acarajé, a tapioca, a empada, o cachorro quente e qualquer outra coisa que faz parte de nossa cultura culinária mas que não pode estar no perímetro gigantesco das arenas para não atrapalhar o McDonalds? Ou que você não pode usar os nomes como Copa do Mundo, Futebol, Olimpíadas, Jogos Olímpicos, sem pagar royalties? Ou que eles mudaram até uma lei federal pra permitir que bebidas fossem vendidas nos estádios? Uau! Você é inabalável.

E não se incomoda com um transporte público de péssima qualidade, quente, cheio e inseguro que você apanha pra ir e pra voltar pra casa? E além de tudo ele é caro. E não pode nem usar uma bicicleta. Pozé! E que tuas ruas estão todas esburacadas, apesar dos impostos em cadeia que você paga? E que o asfalto utilizado pra construir essas “obras primas” não passam de sonrisal e piche? E que a cada recapeamento, a cada nova obra, a cada nova camada de sonrisal preto, alguns porcentos não vão para os serviços? Você nunca tinha nem pensado nisso?

E você não encheu ainda o saco de saber que a rede de água de sua cidade está em péssima situação, recebendo infiltração e cheia de merda pra você beber junto com seus amigos e famílias? Mas você prefere pensar que isso é bom porque desenvolve imunidade e faz do brasileiro um povo ruim de morrer. Faz nada. Porque tem bala. Bala do bandido, bala da polícia, bala de quem se defende e bala de quem vai tirar satisfação. E se não tiver bala tem pedra no meio do protesto. Se ainda não tiver nada disso, tem a tua companhia elétrica que pode ter matado mais de trinta pessoas em menos de um ano. Uma chacina… E você acha normal?

Ou que pessoas mereçam serem trancadas pra cumprir pena em um presídio superlotado de gente, hiperlotado de celulares, fermentando mentes para o pior e você acha que esses caras merecem isso? E você esquece que é esse que sai pior do que entrou que vai te atacar com muito mais violência que se voltasse a errar advindo de uma entidade que realmente trabalhasse por sua reintegração? E você fica feliz quando muitos são mortos em uma rebelião sem pensar que a criminalidade não é da pessoa, é do sistema? Pozé. Sendo do sistema, o cara morre e o espírito do crime fica.

Nem enche o saco de perceber que o político que te representa não presta, que o movimento que quer te representar é fraco e que está todo mundo vivendo um umbigo tranvestido de luta social? E que todo mundo escolheu um gueto e o conjunto social, a base social, está desprotegida e não tem ninguém que ligue pra ela? E você se sente representado pela imagem “favela legal” da Regina Casé? Mas logo ela que não mora na favela? Ela que vai na favela gravar programa, pra baile funk e se divertir, mas volta pra dormir em seus lençóis de não sei quantos fios?

E nunca encheu o saco de saber que o único… ÚNICO SERVIÇO EFICIENTE DESTE BRASIL É A ARRECADAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA? É verdade. Tua universidade tá fudida, a escola pública tá fudida, o sistema de saúde tá fudido, a justiça tá fudida… Mas o imposto de renda é eficiente como em nenhum outro país do mundo. E você nunca encheu o saco??? E que querem controlar quem você beija, com quem você trepa e quem você ama? E querem impor seu Deus e seus diabos?

No final eu acho que o que os governantes querem de verdade é a guerra civil. Não é possível que haja uma falta de escrúpulo tão grande sem esta intenção. E sugiro que o primeiro local a ser ocupado quando esta guerra chegar sejam os aeroportos. Porque se o intuito for espoliar até não poder mais, sangrar até não ter mais jeito, estes caras vão querer fugir antes. Não vão pras ruas não. Vão para os aeroportos. Só pra não deixar fugir. Não sou a favor de pena de morte institucional, mas no meio da guerra pode tudo. Amarra no poste e faz de judas. Eu só não entendo como é que você nunca encheu o saco…

Publicado por: Eduardo Bezerra | Abril 20, 2013

Os dogmas, o deus do impossível e a síndrome do super- homem

Comecei a me interessar por religiões muito cedo. E, apesar de minha origem católica tradicional, tive a curiosidade de ler a Bíblia. Uma prática muito pouco exercida pelos subordinados de Pedro. Tive a oportunidade de ler ainda a Torá, o Alcorão e até o Livro dos Mórmons. Aprofundei um pouco mais no universo das religiões afro e, por admiração e proximidade, da doutrina espírita. Nada disso me conferiu exclusividade com nenhuma delas. Longe disso. Causou-me uma necessidade cada vez maior de afastamento. Ainda assim, apesar de todos os questionamentos, também não me tornou ateu.

Tenho a grande dificuldade em aceitar o deus-fenômeno. Não o fenômeno natural da mínima coisa, mas aquele dedicado ao impossível. A necessidade de um grande feito como sinal de suficiência. O fundamento da fé. Fé que é algo me incomoda desde sempre. Na realidade, tudo o que me afasta da possibilidade do porquê me causa desconfiança e estranheza. A história do mundo demonstra que o impossível é o possível adiado. Mas o ser humano se afasta disso de maneira até covarde. Abandona o impossível quando ele é alcançado. Mas não cientificamente. Cegamente seria mais próprio. Pois quando o conhecimento lança luz sobre algo, o ser humano “crente” fecha seus olhos imediatamente.

As religiões, sobretudo cristãs, têm necessidade deste espetáculo. Da ressurreição seguida de uma elevação apoteótica aos céus. Da criança iluminada que chega à Terra pelo ventre de uma virgem que continua virgem. Nunca me senti contemplado com este deus espetaculoso. Sempre gostei mais da ideia de infinito. Daquilo sem começo e sem fim. Este é o único mistério inexplicável a me fascinar verdadeiramente. Nunca precisei da virgindade de Maria simplesmente por achar este um dos dogmas mais desnecessários já criados. Qual o verdadeiro sentido de um ser divino nascido desta forma? É o filho de deus feito em carne. É fácil crer neste perfil. Por que não vir da carne e ainda assim ser divino? Por que não ser um de nós e ainda sim ser obra de um plano maior?

Dos milagres tão facilmente desvendados. Das interpretações dos desígnios divinos feitas por pessoas cheias de interesses escusos. De um livro sagrado manipulado, alterado, recortado, traduzido… Tudo de acordo com interesses muito humanos. E ainda assim ser dado como a palavra inspirada. Tenho problemas com a fé. Acho a fé insuficiente para quem recebeu a dádiva de uma vida explicável. Por incrível que pareça é mais fácil crer no impossível que no possível. O possível é realidade que machuca e nos põe à prova. O impossível não. Podemos fazer o que quiser com ele.

O grande desafio do ser humano é lidar com o palpável, o corriqueiro, e ainda assim saber que esta rotina repetitiva pode ter algo de divino pingando em tua cabeça como goteira persistente. Algo além dessa necessidade de fazer de deus um surdo com o qual você haverá de gritar pra se fazer existir. Profetizar sua palavra como um cantor de axé ou um anunciante de carro usado. E construir um deus mercantil, conferindo a ele uma troca entre a tua fé e os benefícios dele. Alguém já se perguntou qual seria a lógica (pois um deus tão perfeito haverá de ter lógica) dessa interferência absurda das mínimas às máximas motivações? Até porque, se o merecimento do céu é dado pela obra, qual o motivo de tanta interferência? Teu deus já te deu inteligência, discernimento e ciência de sua existência. Pra que mais?

Sinto pena do espetáculo e do desespero. Do complexo do super-homem. Da insuficiência do deus do impossível. Da dependência dos dogmas, como se as atitudes inexplicáveis já não fosse um dogma suficiente. Tenho pena dos cegos que olham mas não enxergam. E um dia as pessoas acordarão? Não! Infelizmente, o mundo precisa dos que dormem. São eles os que sustentam o reino dos (d)espertos.

Até pensei ver as manifestações nos aeroportos onde a dissidente cubana Yoani Sanchez passou. É direito até dos imbecis de qualquer país democrático. O que me surpreendeu mesmo, e pedi pra não ter facebook para ler, foi a reverberação de pessoas que eu não imaginava pensar assim. O primeiro fato diz respeito a estar em um país que saiu de uma ditadura há menos de trinta anos. Devíamos lembrar como é ruim ser privado de liberdade e ainda ser propagandeado lá fora como um lugar bacana e perfeito. Nesta época, tudo o que se desejava era o direito de expressar uma opinião, qual fosse ela. Sem ser preso, sem ser morto. Liberdade para não ser censurado. Naquela época o argumento é que aqueles que lutavam para serem livres eram financiados pelo comunistas. A maioria fazia suas lutas sem apoio de ninguém, simplesmente por acreditar.

Depois porque deveria ser obrigação de qualquer libertário, qualquer defensor do livre direito de ir e vir, que pessoas não condenadas por crime algum, tivessem o direito de ir para onde quisessem. Sair de seu país, inclusive, caso o seu destino de viagem a aceite. Ter a vida espionada, pressionada por autoridades, ver a família ameaçada; tudo isso deveria ainda estar bem fresco em nossa memória. Muita gente que hoje é representante político passou por isso. Nossa presidente passou por isso. Não importa quem financia o blog ou o que ela escreve. O “democrático” governo cubano nunca daria oportunidade dela desenvolver suas ideias livremente com seu apoio e financiamento.

A liberdade de expressão, diferente do que muitos transpareceram deve valer para qualquer expressão, não apenas a que defendemos. As pessoas devem nascer livres para decidirem ser o que quiserem, desde que este direito não invada o do outro. Conceito básico. Não sou eu, ou você, ou ninguém, a decidir qual a expressão “válida”. O que tem o governo revolucionário de Cuba de tão divino que não pode ser questionado? É óbvio que boa parte da população cubana rejeita Yoani. O povo cubano só tem acesso irrestrito a uma face da moeda, a do governo (os mais velhos, lembram como era aqui?) Aqui, por exemplo, uma boa parte do povo gosta de Big Brother, acha as escolas de samba do Rio apenas uma bela e inofensiva expressão de cultura e consome música merda. Isso porque é ao que eles têm acesso.

Não tenho opinião formada sobre a dissidente. Nunca li seu blog nem nada do que ela escreveu. Tudo o que sei é pelo que me contam. A maioria das pessoas que a critica nunca leu uma linha do que ela escreveu, está falando e escrevendo porque alguém contou. Pouco me importa. Só pensei que as pessoas mais aculturadas, no momento da necessidade, ia desfiar argumentos interessantes e não o velho rosário conspirativo que, sinceramente, já encheu o saco. Cresçam. Apareçam. Façam a diferença. Saibam defender aquilo que é de sua concordância, mas saiba garantir que as disposições em contrário, como diz a lei, sejam respeitadas. Um dia você pode voltar pro lado de lá.

Já fui um adolescente deslumbrado a sonhar a cartilha cubana. Brilhar os olhos com as histórias da Revolução. Ainda tenho um belo boné verde oliva com a bandeira deles, mas substituí Che Guevara em sua pose mitológica pelo não menos revolucionário Seu Madruga. Acho bonito ver que há pessoas que ainda acreditam nesse ideal, elas ajudam a fazer um mundo melhor tanto quanto eu que não consigo mais dormir este sono. Mas não quero calá-los, nem permito que me calem. Nunca mais. Muita gente morreu para que eu pudesse escrever isso.

Esse texto me fez lembrar a frase lá de cima. É do genial Millôr Fernandes. Ditadura é quando você manda em mim. Democracia é quando eu mando em você.

Publicado por: Eduardo Bezerra | Fevereiro 17, 2013

O que não se fala sobre política partidária no Brasil…

Há relativamente poucos anos, onde quer que você se conectasse, seja TV, rádio, jornal ou internet, não havia outro assunto que não este. Alexandre Garcia, Miriam Leitão, Mr, Catra, Patati Patatá, absolutamente todo mundo tinha uma opinião abalizada sobre o assunto. Reforma política. Discutida de mesa de bar a homilia de padre, passando por fila de banco, as pessoas abordavam o assunto como se fosse a salvação para todos os problemas do país.

Mas a discussão da reforma política se deu em três campos muito bem definidos e polarizados. Primeiramente, nas conveniências e articulações dos políticos e seus babõ… desculpe, articuladores e militantes; pela mídia e seus interesses “desinteressados” de contribuir para o crescimento do país (não riam); e por pretensos formadores de opinião e sua torcida religiosamente futebolística pelos quadros políticos da vez.

Desde o princípio, algumas coisas sempre me incomodaram no debate sobre a Reforma Política no Brasil. Em primeiro lugar: o que são os partidos políticos das bandas de cá? Apesar de belos discursos sobre ideologia, compromisso, ética e responsabilidade, não há nada além de agremiações políticas aqui. O último deles a ter um perfil, ruiu por si mesmo com sua chegada ao poder. O Partido dos Trabalhadores não traiu os seus militantes, simplesmente. A atitude conveniente de seus dirigentes eliminou toda e qualquer referência para se construir uma real reforma. Não é nenhuma defesa de petista orgânico. Não sou de partido algum. Não tenho esta pretensão. É apenas uma constatação. O PT viveu numa torre alta, como princesa de conto de fadas. Ao invés do príncipe salvar a bela (com seus votos), a princesa pulou da torre e caiu no poço de lama da política comum do toma-lá-dá-cá. Surpreendente? Não. O PT tem entre suas raízes mais fortes as lutas sindicais, locais de articulação nem sempre honradas e limpas. Local de vale tudo. Foi decepcionante, mas nada surpreendente.

Gosto de fazer uma meia-separação (até porque não pode ser uma separação completa) entre os procedimentos políticos do partido e a forma de governar. Apesar de não gostar do termo “inversão de prioridades” a expansão dos governos do PT, reordenou a forma dos outros países fazerem política. Isso é fato. Algumas coisas inimagináveis em partidos como o ex-PFL, por exemplo, foram pautadas por esta ascendência. Não lembro quem escreveu isso, mas, na época onde havia direita e esquerda, a diferença entre eles era que a esquerda escrevia sobre o mundo e a direito lia o que a esquerda escrevia.

Mas aquilo que era um partido político, igualou-se aos outros com a canonização de São Lula. O PT sucumbe à autocracia e se torna um igual dos demais, chegando ao ponto de servir de legenda de aluguel em algumas situações. Um outro ponto que ninguém acaba por aprofundar no debate é justamente esta autocracia. Não há veiculação com ideologias políticas. A população não vota em partidos. Os partidos não investem no partido. Investem nas pessoas. Os políticos não podem assumir a bandeira do partido como a sua. Nem eles garantem que amanhã estarão por lá. os partidos são dependentes das figuras políticas por princípio e não por fim.

É inimaginável um político sair do partido democrata para o republicano nos Estados Unidos. Ou do trabalhista para o conservador no Reino Unido. Não há interesse local em dar condições para que as pessoas assumam uma ideia partidária. E isso não exige apenas dos partidos, mas  dos eleitores. Não é algo que virá dos políticos. Não se espera nada deles. Todos estão em posição confortável e farão de tudo pra se manter assim. Se espera da população. São eles, que no seu sofrimento, podem mudar as coisas.

A própria polarização já é um outro problema. Para defender um ponto de vista, para não dar a impressão que está defendendo o “inimigo”, as pessoas se agarram com todas as forças em um ponto e não mudam, não misturam suas ideias. A política no Brasil, assim como a gestão pública, é feita com base no embate e não no debate. No embate a minha ideia vai vencer a sua e deixá-lo no chão. No debate a gente constrói um caminho. Para nós. Por isso que aqueles campos ditos lá no início (militontos, políticos e mídia) são tão imiscíveis. Não se defendem ideias, defendem-se conveniências.

O último ponto (deste post e não da discussão) está na falta de maturidade de quem constrói esta política. De todos os lados. Sempre em época de eleição, vemos pessoas altamente coerentes perderem completamente a coerência. Defenderem coisas em conversas privadas com você e no espaço coletivo mudarem completamente de posição. É o formador de opinião totalflex. Nossa política é bem totalflex. Farinha pouca, o meu primeiro. A categoria política se aproveita da dificuldade das pessoas, sobretudo o brasileiro, em mudar. Nosso povo é mantido diariamente nos grilhões da permissão pra serem cidadãos. Permissão para terem uma bolsa, permissão para terem uma cota, permissão para terem direito ao básico da cidadania. Viver com pouco fez do brasileiro um povo medroso e pouco previdente. Quem vive com pouco sempre tem medo de perder e opta pelo mal conhecido ao bem possível.

Por isso a reforma política não vai evoluir se continuar a se desenvolver neste campo. Permanecem o coronelismo, os feudos eleitorais, as relações de troca imorais, os apoios a qualquer custo, os lobbies, a infidelidade partidária, o jogo das conveniências e os loteamentos administrativos. Por isso, não há frase melhor para finalizar este post que a do pertinente Albert Einstein: Insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes.

Publicado por: Eduardo Bezerra | Novembro 8, 2012

É pra frente!

Ei, meu bem! Olha pra ali! A vida é pra frente… E urgente! Amar é pra ontem. Aceitar é pouco. Algumas vezes pensar em si pra depois pensar no mundo. Por que dar tanta energia a quem está tão longe e nem entende teus dedos abaixo dos olhos molhados? Há tanta gente chorando e sofrendo aí do teu lado. Eu sei que é mais fácil lançar palavras pra quem não te escuta, limpar a consciência e depois dormir com a sensação de dever cumprido. As fotos são mais compreensivas que as pessoas reais. Pessoas reais precisam de ação. Pessoas reais precisam de toque. Isso só se faz na presença. Pare de querer construir um mundo novo e construa. Pare de querer um amor novo e ame. Pare de querer ser melhor e seja. Não exija pena nem solidariedade de ninguém.

O que aconteceu é pretérito. Perfeito. Guardado no pote do tempo. A vida se faz pra adiante. Não dá pra consertar. Não dá pra compensar. Essa moda de política compensatória é coisa de gente com peso de consciência de coisas que nem fez. Não traga isso pra vida não. Não espere pedidos de desculpas mas peça quando o coração disser que deve. A resiliência não é pacífica, assim como a paz não deve ser pasma. Abandone as bandeiras, os clichês, os jingles, as frases de efeito. Seja uma pessoa de verdade num mundo de verdade. Ninguém é livre. Democracia não existe. E olhe, se o comunismo ou o socialismo fosse alternativas viáveis ao mostro capitalista, creia em mim, já estava em voga de maneira muito suave.

O mundo não tem segredos. Estes são nossos, seres humanos dramáticos. Chuta o pau da barraca, sai gritando no meio da rua, tem pensamentos maus. Você é um ser humano. Às vezes precisa ser mesquinho, ruim. Você tem seus preconceitos e eles são feios sim, mas são seus. Se você for o primeiro a dizer que não tem os defeitos que tem… Ah, será muito falso! Não seja como esse pessoal politicamente correto. Tenha gosto, cheiro, textura. Faça merda. E conserte. Não tenha vergonha.

Bote a imaginação pra funcionar. Escreva cartas de amor eterno de uma semana. Guarde amores proibidos em compartimentos secretos de sua alma. Tenha raiva de quem você tiver de ter. Só não faça uma coisa. Não leve na sua bagagem coisa que não te acrescente. Ódio e rancor devem ser cuspidos, não merecem ficar na boca. Têm gosto acre, travoso. Escreva um livro pra pessoa amada, mesmo que só ela leia a história. Tenha filhos. Adote filhos. Uma pessoa sem família não tem medo de perder nada. Tenha sempre medo de perder algo pois assim você terá a certeza de que há algo de muito importante em sua existência. Tenha pelo que morrer e faça o viver valer a pena.

Meu bem, a vida está ali. Espera por você. Só não espere que seja boa. É querer demais por algo tão imprevisível. Em caso de dificuldade, faça o seguinte, viva alguns momentos felizes e guarde para quando precisar. A vida é andar num deserto com um cantil de alegrias. Mas só use se precisar. Alegria pode ser estiagem. Alegria pode ser enchente. Nunca vem em dose certa. Mas está ali na frente!

Publicado por: Eduardo Bezerra | Dezembro 31, 2011

… e para 2012…

Se for para o mundo acabar em 2012 que seja com o Queen!!!

Publicado por: Eduardo Bezerra | Dezembro 31, 2011

Até mais, 2011…

Há anos dentro da média. Há anos para mais. Há anos para menos. Há anos, como este, bipolares.

2011. Ano fácil. Ano difícil. Conquistei muito, perdi outro tanto. Fui um completo idiota, ou o cara mais esperto do mundo. Fui tudo o que queria ter sido e nada daquilo que gostava. Fui concreto e abstrato. Criativo e travado. Distribuí grandes abraços na mesma medida em que também sorteei todo tipo de pancadas. Fui bom ao extremo, fui mal à beça. Cuidei bem do corpo, judiei da mente. Fui feliz como nunca e triste como poucas vezes. Fui ao céu e ao inferno em 365 dias. Várias vezes. Fui doce e fui amargo. Quis e não quis. Abri mão de fazer quem eu queria feliz, feliz. Mas pude voltar e fazê-la feliz de novo.

Para muita gente é apenas um dia como qualquer outro. Não sou pragmático como pareço nem ingênuo como transpareço. Sou o que pouca gente sabe que sou sem deixar de ser o que todo mundo sabe que é. Ano novo é chance de recomeçar. Terminou mais um ciclo. Não sei se serei melhor. Não quero esta responsabilidade. Não posso prometer ser melhor. Mas posso prometer brigar pra sê-lo. Não tenho planos para 2012, ou pelo menos nenhum que interesse à devassidão deste blog. Assim, amigos e amigas, só tenho a desejar um feliz novo ano. Obrigado por tudo!

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